terça-feira, 30 de setembro de 2014

Aventar

Aventar


A máquina do poder

Posted: 30 Sep 2014 12:31 PM PDT

bigcapa-maquina-poder

Interessante leitura, trazida pela Esfera dos Livros.


Filed under: curtas, política nacional

Imigrantes a mais?

Posted: 30 Sep 2014 12:30 PM PDT

Um dos blogues associados ao diário espanhol El País, o Café Steiner, destaca hoje um gráfico publicado no estudo anual sobre a opinião pública “Transatlantic Trends” (edição de 2014), particularmente interessante no que diz respeito à questão da imigração. O gráfico mostra a resposta obtida em vários países da União Europeia, na Rússia e nos EUA à pergunta: "Acha que há demasiados imigrantes no seu país?".

O que torna as respostas ainda mais interessantes é o facto de surgirem divididas em dois grupos. Um primeiro grupo, assinalado a cinzento claro, a quem foram indicados os números reais da imigração antes de serem convidados a responder, e um segundo grupo, a cinzento escuro, a quem não foi dada nenhuma informação. Isto é, enquanto o primeiro grupo avalia dados reais, o segundo pronuncia-se sobre uma percepção. E as diferenças são flagrantes.

No caso grego, país onde a extrema-direita tem consolidado o seu crescimento à força da culpabilização dos imigrantes pela situação económica, a diferença de avaliação é de  27%, no primeiro grupo, para 58%, no segundo. No Reino Unido do UKIP, os 54% não informados contrastam com os 31% a quem foram dados números concretos. E na França da Frente Nacional, do primeiro para o segundo grupo há uma subida de 15% para 29%, quase o dobro.

À excepção da Suécia (19% no primeiro grupo, 17% no segundo) e da Polónia (caso único em que a percentagem é exactamente a mesma), em todos os casos a percentagem de cidadãos que acredita haver demasiados imigrantes no seu país é mais reduzida, e em alguns casos, de forma muito acentuada, quando têm acesso a dados reais sobre o número de imigrantes a viver no território.

EUA e Rússia revelam a mesma tendência que a dos países da UE.

A crença de que há "imigrantes a mais" assenta, ao que parece, em percepções, propaganda, ideias erróneas não sustentadas por números reais. E é nessa ausência de informação veraz que os partidos de extrema-direita encontram terreno fértil para plantar preconceitos, apontar falsos culpados e contabilizar votos com um simples apontar de dedo aos bodes expiatórios mais frágeis.

Descendo ao muito particular, o caso concreto do meu bairro, no Porto. Nos últimos anos, instalaram-se aqui dezenas de famílias de diversas proveniências mas em particular do Bangladesh e do Brasil. Gente normalíssima, com trabalhos mais ou menos precários como toda a gente, com filhos pequenos na escola, que faz as compras na mercearia da esquina e recebe amigos em casa. Nunca deram problemas a quem já cá estava nem vice-versa. Nos últimos meses, um grupo de cinco ou seis romenos (e já havia algumas famílias romenas por cá) foi gerando uma série de situações conflituosas com os vizinhos. O caso chegou à imprensa, saíram umas quantas notícias. Foi quanto bastou para que o partido de extrema-direita que por cá temos espalhasse os seus execráveis cartazes xenófobos pela zona, procurando capitalizar o descontentamento em relação a um pequeníssimo grupo e pegar fogo ao rastilho da intolerância. Ninguém lhes ligou muito, valha a verdade, mas ficou clara a estratégia oportunista.

A tendência é clara e estamos avisados: manipular os dados da imigração rende votos. E custa vidas.


Filed under: sociedade Tagged: extrema direita, imigração, partidos

FMI baralha e torna a dar

Posted: 30 Sep 2014 11:30 AM PDT

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O relatório de Outono do FMI, essa samaritana instituição que nos salvou das maleitas do socratismo destrutivo e que nos emprestou umas coroas a troco de uns “ajustamentos” temperados com austeridade em doses industriais, vem agora dizer-nos que o caminho para tirar a economia da crise passa por investimento estatal em infraestruturas públicas. Ou se preferirem, em português neoliberal, despesismo.

O FMI é um grande ponto de interrogação. Num dia querem austeridade e no outro políticas expansionistas. As contradições deste organismo parecem tiradas de uma novela mexicana. Mas este novo despertar keynesiano é muito conveniente por estes lados, principalmente com o regresso eminente dos socrat…socialistas de Costa ao poder e com as Legislativas ali tão perto! Na Mota-Engil vivem-se momentos de apoteose. Quem será o próximo socialista a liderar a empresa?

Resta, portanto, saber se Portugal se encontra no grupo das “economias avançadas“, destinatárias da mensagem do FMI. E mesmo que não se encontre, numa Europa refém da austeridade ideológica alemã, é capaz de se tornar um pouco complicado de explicar aos senhores da Europa central que afinal o caminho implica gastar dinheiro em obras públicas. A menos que toda a retórica da austeridade não tenha passado de mais um estratagema temporário para enriquecer uns poucos e empobrecer a maioria enquanto se enfraquece o estado social. Mas isso, como sabemos, é matéria do domínio da conspiração…


Filed under: economia Tagged: Austeridade, despesismo, fmi, investimento estatal, obras públicas

Alpoim Calvão

Posted: 30 Sep 2014 10:19 AM PDT

Faleceu um terrorista. Nunca foi julgado.


Filed under: curtas Tagged: alpoim calvão

Fatos, fatos, fatos: muitos, muitos fatos

Posted: 30 Sep 2014 06:00 AM PDT

 "Any minute now I'm expecting all hell to break loose"
Bob DylanThings Have Changed

António Costa aceitou o desafio do jornal Observador, respondeu às perguntas do Political Compass e, aparentemente, não terá pestanejado quando leu esta tradução de “It’s a sad reflection on our society that something as basic as drinking water is now a bottled, branded consumer product”:

O fato de a água que bebemos ser um produto de consumo de marca e engarrafado é um triste reflexo da sociedade em que vivemos.

Aliás, este “fato de a água” nem sequer é uma tradução: é o produto de uma deturpação da versão portuguesa, criada pelo Público:

O facto de a água que bebemos ser um produto de consumo de marca e engarrafado é um triste reflexo da sociedade em que vivemos.

Sim, o problema é grave. Efectivamente, este fato é um triste reflexo da sociedade em que vivemos. Considerando a gravidade do problema, prometo aos leitores do Aventar alguns meses de descanso sobre este assunto.

Em 21 de Março de 2013 (ou seja, há cerca de ano e meio), o ILTEC pronunciou-se nos seguintes termos, acerca de documento que fiz chegar à Assembleia da República e no qual apontava “erros e inconsistências”:

Não pode, pois, concluir-se que antes da aplicação do AOLP90 não havia variação ou erros deste tipo em documentos escritos, oficiais ou outros, nem que a regra existente para a escrita de sequências consonânticas não levantava problemas. Tal não invalida, é claro, que sejam legítimas as preocupações que o autor expressa no seu trabalho.

Esqueceu-se foi o ILTEC de salientar o carácter episódico das ocorrências “antes da aplicação do AOLP90″. Aliás, desafio o ILTEC a encontrar 10 (dez!) ocorrências de fatos em qualquer edição do Diário da República redigida de acordo com as regras de 45/73. Como escrevi no trabalho em que manifesto “preocupações” que o ILTEC amavelmente considera “legítimas”:

Quando a repetição adopta um grão de areia, por exemplo, a palavra fatos no lugar de factos, em "menção de que o candidato declara serem verdadeiros os fatos constantes da candidatura”, os resultados estão à vista.

Sim, continuam à vista. Um ano e meio depois, no sítio do costume.

Menção de que o requerente declara serem verdadeiros os fatos constantes da sua candidatura (p. 24807);

Identificação do requerente (nome, data de nascimento, sexo, nacionalidade, número de identificação fiscal e endereço postal e eletrónico, caso exista e contato telefónico) (p. 24807);

Menção de que o requerente declara serem verdadeiros os fatos constantes da sua candidatura (p. 24808);

Menção de que o requerente declara serem verdadeiros os fatos constantes da sua candidatura (p. 24809);

Menção de que o requerente declara serem verdadeiros os fatos constantes da sua candidatura (p. 24811);

Menção de que o requerente declara serem verdadeiros os fatos constantes da sua candidatura (p. 24812);

Menção de que o requerente declara serem verdadeiros os fatos constantes da sua candidatura (p. 24813);

Menção de que o requerente declara serem verdadeiros os fatos constantes da sua candidatura (p. 24814);

Menção de que o requerente declara serem verdadeiros os fatos constantes da sua candidatura (p. 24815);

Menção de que o requerente declara serem verdadeiros os fatos constantes da sua candidatura (p. 24817);

Os candidatos que exerçam funções no Agrupamento de Escolas do Bom Sucesso, [sic] estão dispensados da apresentação dos documentos comprovativos dos fatos indicados no currículo, desde que, expressamente, refiram que os mesmos se encontram arquivados no seu processo individual, nesses casos, o júri do concurso solicitará oficiosamente os mesmos ao respetivo serviço de pessoal (p. 24823).

 

Post scriptum