Aventar |
- A máquina do poder
- Imigrantes a mais?
- FMI baralha e torna a dar
- Alpoim Calvão
- Fatos, fatos, fatos: muitos, muitos fatos
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- Tecnoforma: Passos “inocentado” em 48 horas
- “Como é que imaginas o funeral dos teus pais?”
- Um povo com «os pés frios dentro da cabeça»
| Posted: 30 Sep 2014 12:31 PM PDT |
| Posted: 30 Sep 2014 12:30 PM PDT Um dos blogues associados ao diário espanhol El País, o Café Steiner, destaca hoje um gráfico publicado no estudo anual sobre a opinião pública “Transatlantic Trends” (edição de 2014), particularmente interessante no que diz respeito à questão da imigração. O gráfico mostra a resposta obtida em vários países da União Europeia, na Rússia e nos EUA à pergunta: "Acha que há demasiados imigrantes no seu país?". O que torna as respostas ainda mais interessantes é o facto de surgirem divididas em dois grupos. Um primeiro grupo, assinalado a cinzento claro, a quem foram indicados os números reais da imigração antes de serem convidados a responder, e um segundo grupo, a cinzento escuro, a quem não foi dada nenhuma informação. Isto é, enquanto o primeiro grupo avalia dados reais, o segundo pronuncia-se sobre uma percepção. E as diferenças são flagrantes. No caso grego, país onde a extrema-direita tem consolidado o seu crescimento à força da culpabilização dos imigrantes pela situação económica, a diferença de avaliação é de 27%, no primeiro grupo, para 58%, no segundo. No Reino Unido do UKIP, os 54% não informados contrastam com os 31% a quem foram dados números concretos. E na França da Frente Nacional, do primeiro para o segundo grupo há uma subida de 15% para 29%, quase o dobro. À excepção da Suécia (19% no primeiro grupo, 17% no segundo) e da Polónia (caso único em que a percentagem é exactamente a mesma), em todos os casos a percentagem de cidadãos que acredita haver demasiados imigrantes no seu país é mais reduzida, e em alguns casos, de forma muito acentuada, quando têm acesso a dados reais sobre o número de imigrantes a viver no território. EUA e Rússia revelam a mesma tendência que a dos países da UE. A crença de que há "imigrantes a mais" assenta, ao que parece, em percepções, propaganda, ideias erróneas não sustentadas por números reais. E é nessa ausência de informação veraz que os partidos de extrema-direita encontram terreno fértil para plantar preconceitos, apontar falsos culpados e contabilizar votos com um simples apontar de dedo aos bodes expiatórios mais frágeis. Descendo ao muito particular, o caso concreto do meu bairro, no Porto. Nos últimos anos, instalaram-se aqui dezenas de famílias de diversas proveniências mas em particular do Bangladesh e do Brasil. Gente normalíssima, com trabalhos mais ou menos precários como toda a gente, com filhos pequenos na escola, que faz as compras na mercearia da esquina e recebe amigos em casa. Nunca deram problemas a quem já cá estava nem vice-versa. Nos últimos meses, um grupo de cinco ou seis romenos (e já havia algumas famílias romenas por cá) foi gerando uma série de situações conflituosas com os vizinhos. O caso chegou à imprensa, saíram umas quantas notícias. Foi quanto bastou para que o partido de extrema-direita que por cá temos espalhasse os seus execráveis cartazes xenófobos pela zona, procurando capitalizar o descontentamento em relação a um pequeníssimo grupo e pegar fogo ao rastilho da intolerância. Ninguém lhes ligou muito, valha a verdade, mas ficou clara a estratégia oportunista. A tendência é clara e estamos avisados: manipular os dados da imigração rende votos. E custa vidas. Filed under: sociedade Tagged: extrema direita, imigração, partidos |
| Posted: 30 Sep 2014 11:30 AM PDT O relatório de Outono do FMI, essa samaritana instituição que nos salvou das maleitas do socratismo destrutivo e que nos emprestou umas coroas a troco de uns “ajustamentos” temperados com austeridade em doses industriais, vem agora dizer-nos que o caminho para tirar a economia da crise passa por investimento estatal em infraestruturas públicas. Ou se preferirem, em português neoliberal, despesismo.
O FMI é um grande ponto de interrogação. Num dia querem austeridade e no outro políticas expansionistas. As contradições deste organismo parecem tiradas de uma novela mexicana. Mas este novo despertar keynesiano é muito conveniente por estes lados, principalmente com o regresso eminente dos socrat…socialistas de Costa ao poder e com as Legislativas ali tão perto! Na Mota-Engil vivem-se momentos de apoteose. Quem será o próximo socialista a liderar a empresa? Resta, portanto, saber se Portugal se encontra no grupo das “economias avançadas“, destinatárias da mensagem do FMI. E mesmo que não se encontre, numa Europa refém da austeridade ideológica alemã, é capaz de se tornar um pouco complicado de explicar aos senhores da Europa central que afinal o caminho implica gastar dinheiro em obras públicas. A menos que toda a retórica da austeridade não tenha passado de mais um estratagema temporário para enriquecer uns poucos e empobrecer a maioria enquanto se enfraquece o estado social. Mas isso, como sabemos, é matéria do domínio da conspiração…
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| Posted: 30 Sep 2014 10:19 AM PDT |
| Fatos, fatos, fatos: muitos, muitos fatos Posted: 30 Sep 2014 06:00 AM PDT © dpa (http://bit.ly/1voxc4m) "Any minute now I'm expecting all hell to break loose" — Bob Dylan, Things Have Changed António Costa aceitou o desafio do jornal Observador, respondeu às perguntas do Political Compass e, aparentemente, não terá pestanejado quando leu esta tradução de “It’s a sad reflection on our society that something as basic as drinking water is now a bottled, branded consumer product”:
Aliás, este “fato de a água” nem sequer é uma tradução: é o produto de uma deturpação da versão portuguesa, criada pelo Público:
Sim, o problema é grave. Efectivamente, este fato é um triste reflexo da sociedade em que vivemos. Considerando a gravidade do problema, prometo aos leitores do Aventar alguns meses de descanso sobre este assunto. Em 21 de Março de 2013 (ou seja, há cerca de ano e meio), o ILTEC pronunciou-se nos seguintes termos, acerca de documento que fiz chegar à Assembleia da República e no qual apontava “erros e inconsistências”:
Esqueceu-se foi o ILTEC de salientar o carácter episódico das ocorrências “antes da aplicação do AOLP90″. Aliás, desafio o ILTEC a encontrar 10 (dez!) ocorrências de fatos em qualquer edição do Diário da República redigida de acordo com as regras de 45/73. Como escrevi no trabalho em que manifesto “preocupações” que o ILTEC amavelmente considera “legítimas”:
Sim, continuam à vista. Um ano e meio depois, no sítio do costume.
Post scriptum: |