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- “Talisca: sensação na Europa e esperança para a seleção”
- Estou sim? Tribunal do Santo Ofício?
- Em louvor e glória dos egrégios avós
- Depois de nos sacar o BPN por 40 milhões
- Luxembourg Leaks
- O marxismo-leninismo
- Problemas de memória com o Muro de má-memória: 4 notas de Rui Bebiano
| “Talisca: sensação na Europa e esperança para a seleção” Posted: 10 Nov 2014 12:03 PM PST |
| Estou sim? Tribunal do Santo Ofício? Posted: 10 Nov 2014 06:37 AM PST Era para reportar um caso grave de heresia. Podemos acender a fogueira? Filed under: curtas Tagged: Evangelho Perdido, igreja católica, Jesus Cristo, manuscrito |
| Em louvor e glória dos egrégios avós Posted: 10 Nov 2014 04:42 AM PST Anda pela nossa extrema-direita dita liberal uma vaga de revisionismo histórico (ou de regresso à historiografia à moda do séc. XIX, mas essa deixo para outro dia). Agora é o Ferreira, putativo candidato a salazarinho que quer fazer “fazer uma carta aberta aos portugueses a explicar porque é que a história é muito maior do que se diz. Escrever uma carta aos portugueses sobre “A tua história foi muito maior do que te dizem”, por exemplo. É que nós somos mesmo bons.” Modéstia e ignorância. Já o ex-maoísta, ex-pioneiro do eduquês de Boston, ex-formador de professores mal formados, ex-autor de um blogue que apagou porque ali defendeu a escola pública contra os ataques da dupla Valter/ Rodrigues, aliás também ex-apagador de calúnias sobre um conhecido cronista que se lixe a colega que as reproduziu e deu com os costados em tribunal, e actual e único grande defensor do Crato e do “ensino” vocacionado para a mão-de-obra desqualificada e barata, Ramiro Marques, vem em defesa, imaginem, de Putin, e proclama que o Ocidente tem motivos para se orgulhar do seu passado e para celebrar os seus valores comuns. Não há sítio melhor para fazer isso do que as escolas. De que falam eles quando se orgulham? Suponho que da História de Portugal versão Mattoso pai, o autor dos manuais únicos e obrigatórios do salazarismo. Da fantástica teoria do ermamento, tão bem baptizada como do rolo compressor por Borges Coelho, uma imbecilidade do tamanho da ideia de que os cristãos (já agora uma religião que nos foi imposta pelo colonizador Constantino) perante a chegada do mouros foram todos a correr ou coxear até às Astúrias, prosseguindo para a mítica Reconquista, em que de modo algum os senhores mouros e os senhores cristãos se aliaram e desaliaram. Do heroísmo de Aljubarrota onde apenas nobres combateram, esquecendo que a humilhação castelhana foi sentida precisamente porque camponeses de pé descalço derrotaram a fina flor da cavalaria portuguesa mais a nada hermana. Dos feitos gloriosos de além-mar, incluindo um dos mais terríveis massacres (mulheres e crianças de braços cortados lançados ao mar) que a História mundial das ignomínias contempla, de um fabuloso império onde a ganância e atraso substituiu o comércio pela militar conquista, a corrupção se instalou e naturalmente mais depressa se desfez que demorou a ser feito, a lógica que o ano de 2015 anuncia ser berrada pelas efabuladores de Ceuta, que já guincham chamando glória à conquista de Ceuta, provavelmente o mais tolo e ruinoso investimento do estado português, passe o anacronismo. Do colonialismo sobretudo: a glória da rapina, da perpetuação do esclavagismo sob a forma de contratado até 1962, da exploração dos recursos alheios, dos massacres consecutivos dos povos ocupados, tão bem assumidos onde se defende que nada tirámos porque aquilo era nosso, lógica capaz de acabar com a propriedade privada, entro-te em casa, proclamo: isto é meu, e portanto dos teus bens posso livremente dispor. Deve ser destas estórias (perdoem-me o anglicismo) que se orgulham. Ora a História é uma ciência que não trata nem do orgulho nem da vergonha, mas dos sucessos e insucessos havidos. Não nutro nenhum desses sentimentos pelos meus antepassados, que fizeram mal umas vezes, outras bem, outras assim-assim, tal como hoje assim mesmo fazemos, nem faltava mais nada: nenhum povo tem uma História nesse aspecto diferente, nenhum povo foi superior ou inferior aos restantes, cada um faz o que pode, sabe, e a bem dizer a mais não é obrigado. O que já não pertence à História (embora seja seu objecto de estudo), mas à política, é essa devoção por feitos que foram crimes, por glórias que resultaram em fracassos, como se ao invés de com eles aprendermos o desígnio fosse desaprender com as lendas e falsificações da historiografia passada. É política e é um clássico; chama-se nacionalismo, pai de tantas guerras, inspiração predilecta de tanta ditadura, precisamente o que se deve evitar, aqui ou na Rússia, tal como precisamente a História nos ensina. Esse apelo ao orgulho nacionalista tem tanto de absurdo como de pragmático, é por demais conhecido o seu papel. E bate certo, nacional-liberalismo é um designação perfeita para o tempo que nos querem fazer atravessar. Filed under: ciência & tec. Tagged: extrema direita, história, nacionalismo |
| Depois de nos sacar o BPN por 40 milhões Posted: 10 Nov 2014 03:28 AM PST Mira Amaral acusa o governo de usar a fiscalidade verde para sacar mais impostos aos contribuintes. Sacam-nos tudo… Filed under: curtas Tagged: bpn, fiscalidade verde, impostos, Mira Amaral |
| Posted: 10 Nov 2014 03:04 AM PST As ramificações do esquema em Portugal. Filed under: curtas Tagged: evasão fiscal, Juncker, Luxembourg Leaks, portugal |
| Posted: 10 Nov 2014 02:28 AM PST de Fernando Ulrich. Aguenta camarada! Filed under: curtas Tagged: bes, Fernando Ulrich, nacionalização, pcp |
| Problemas de memória com o Muro de má-memória: 4 notas de Rui Bebiano Posted: 09 Nov 2014 10:56 PM PST Esta manhã publiquei um parágrafo retirado de um texto que Rui Bebiano escreveu e publicou no seu A Terceira Noite. Reedito agora este post e, com a autorização do autor, publico o texto na íntegra, para que o contexto em que esse parágrafo se insere não se perca. Em favor, também, de um debate urgentíssimo para as esquerdas, que o texto de Rui Bebiano, que não é um homem de direita, suscita. [S.A., 14:00] Quatro notas sobre a queda do Muro Rui Bebiano1. Vinte e cinco anos após a derrocada do Muro de Berlim, boa parte do seu cenário permanece na nossa memória partilhada. Mais que uma incomum fronteira física, ele constituía uma metáfora, e as metáforas não se apagam a meros golpes de vontade e picareta. Do lado ocidental, uma pesada vedação de 155 quilómetros contornava todo o perímetro da parte da cidade que não fora ocupada pelo Exército Vermelho. Era possível tocar o betão que lhe dava solidez, sobre ele podiam pintar-se palavras de ordem, escalando até uma posição confortável conseguia observar-se de longe o hermético «Leste». Do lado oriental, o Muro era cinzento e deprimente, eriçado de arame farpado, ladeado por uma terra de ninguém minada e perigosa para qualquer leste-alemão que tentasse uma mera aproximação ao carcinoma do capitalismo. Em cada metade de Berlim, viva-se uma existência esquizofrénica que concebia a realidade a partir de duas escalas que simultaneamente se olhavam e ignoravam. Como se uma não pudesse viver sem a outra, aceitando-se na certeza de que a proximidade se materializava numa distância que condenava cada modelo à inflexível clausura. O Muro representava a metáfora suprema da simetria que a Guerra Fria impunha. 2. A surpreendente festa libertada na madrugada de 9 de Novembro de 1989 – nem as manifestações, cada vez maiores, iniciadas em Leipzig dois meses antes, preludiavam tal desfecho – teve tanto de espontâneo e de natural como de objeto de incredulidade e embriaguez por parte de quem nela participou ou de quem, por todo o mundo, a acompanhou em direto através da televisão. À exceção dos entrincheirados defensores do modelo inflexível do «socialismo realmente existente», para a maioria dos alemães e dos europeus era visível o estado caótico do sistema económico da RDA, a decrepitude e o isolamento dos seus dirigentes, a interferência crescente da repressão e da censura, a ausência de respostas para as ambições de uma geração que as organizações do partido único já não enquadravam, a dissensão instalada entre os criadores e os intelectuais, o descontentamento manifesto de cada vez mais trabalhadores. Essa perceção havia tornado inevitável a transformação de qualquer sinal de mudança, por mínimo que fosse, numa via aberta de esperança. Independentemente desta ter ou não uma dimensão programática e sustentada. A vaga de transformações no leste europeu que se sucedeu ao fim do Muro, estabelecendo um ponto de viragem na história recente do qual o historiador marxista Eric Hobsbawm se serviu para balizar o termo do «curto século XX», tornou-se por isso imparável e irreversível. 3. Todavia, a realidade não foi simpática para as expectativas. Um quarto de século depois dos acontecimentos festivos, grande parte dos anseios e ilusões libertados está por cumprir. Tornou-se rapidamente visível que o capitalismo, lançado ele próprio numa situação de crise da qual conhecemos hoje a faceta mais sombria, não estava em condições de oferecer o hipotético paraíso que muitos dos alemães de leste e dos habitantes dos autoproclamados países socialistas acreditavam existir. As contradições agudizaram-se em pouco tempo, oligarquias exploraram no terreno a dissolução dos regimes fortes, que havia deixado a maioria dos cidadãos desprotegidos diante da barbárie neoliberal ou até de organizações criminosas. O próprio ideal comunista, tal qual era entendido pelos partidos no poder, implodiu e não soube recompor-se, procurando os seus herdeiros reunir os cacos de um sistema e de um modo de vida, sem grandes preocupações em repensar a realidade de um mundo em rápida mudança. Adaptando o ideal de solidariedade social e de governo para as maiorias a uma lógica capaz de integrar os valores da liberdade política, de expulsão da tirania do Estado e de aproveitamento das forças dinâmicas da sociedade para o crescimento da felicidade e do bem-estar dos cidadãos. Mas até nessa missão falharam. 4. Grande parte da esquerda não filiada nos partidos comunistas tradicionais – estes em boa parte irmanados na defesa do modelo que a queda do Muro remetera para os livros de História ou para os manuais de Ciência Política, e tantos têm sido escritos sobre o que aconteceu neste quarto de século –, não deixou de avaliar positivamente as transformações operadas após 1989. Embora, como lhe competia, rapidamente se lançasse também num processo de leitura crítica da degradação dos sistemas emergentes no leste europeu a partir dessa data. Mas essa não foi a atitude geral: entre nós, não deixa de ser sintomática a forma como alguns setores da esquerda jamais se libertaram dos fantasmas da Guerra Fria e têm encarado a data que agora se evoca. Em texto publicado no jornal Avante!, a direção do Partido Comunista Português reescreve a história, lançando um anátema sobre a «chamada queda do Muro», comemorada «pela direita e pela social-democracia», e retomando o argumento de que o seu levantamento fora determinado pelo ocidente para «conter o comunismo» e não pelas autoridades soviéticas e leste-alemãs para impedir a fuga maciça de cidadãos para a área controlada pelas potências ocidentais. Já o Bloco de Esquerda, apostado agora numa estratégia de dissolução gradual das diferenças em relação ao PCP, bem como na desvalorização da sua dimensão libertária e de combate às experiências burocráticas e autoritárias, que durante anos lhe garantiu boa parte do crescimento eleitoral, evita o tema, remetendo-se ao silêncio e afastando, como lhe competia diante das expectativas dos seus eleitores, uma leitura crítica, informada e justa dos acontecimentos que há vinte e cinco anos mudaram o mundo. Tanto tempo depois, também entre nós a queda do Muro conserva as suas ondas de choque. E continua a oferecer as suas lições. Filed under: política internacional, política nacional Tagged: A Terceira Noite, bloco de esquerda, Bloco de Leste, Esquerdas, jornal Avante, Memória histórica, muro de berlim, pcp, reescrita da História, Rui Bebiano, união soviética |
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