domingo, 9 de novembro de 2014

Aventar

Aventar


Adeus Lenine

Posted: 09 Nov 2014 01:26 PM PST

Um filme de Wolfgang Becker, ficha IMDB, legendado em português (mas com um erro crasso na tradução de RDA/RFA).

 


Filed under: Hoje dá na net Tagged: berlim, cinema, rda

Inveja

Posted: 09 Nov 2014 07:25 AM PST

Maria Helena Loureiro

10003458_10202973417162965_3996828043849702933_nA Brasileira ficou, de repente, quase vazia. Uma mulher, sozinha numa mesa a meio do café, lia o Diário de Coimbra e, volta e meia, fazia comentários em voz alta. Achei que era altura de me ir embora, tendo em conta que tinha sido precisamente o Diário de Coimbra que me tinha posto com vontade de arejar. Indecisa, enfiei o nariz no livro que ando a reler à espera que a outra se calasse. E consegui deixar de a ouvir ou, pelo menos, só a ouvia lá muito ao longe que os livros, é verdade, operam milagres.
Tão distraída estava, que mal reparei numa mulher jovem que entrou com uma bébé ao colo, toda embrulhada nuns panos traçados, em overdose de rosa, muito coladinha ao peito da mãe.
Na televisão, muito baixinho, sucediam-se canções conhecidas. Foi então que a mulher começou a cantarolar ao ouvido da pequenita ao mesmo tempo que a fazia dançar e rodopiar no colo e desfazer naqueles sorrisos hesitantes e espantados das bébés, ainda muito concentradas em manter a cabeça em equilíbrio mais ou menos estável.
I believe I can fly
I believe I can touch the sky
I think about it every night and day
Spread wings and fly away
I believe I can soar
I see me running through that open door
I believe I can fly, I believe I can fly
I believe I can fly
If I just spread my wings
(I can fly)
I can fly
(I can fly)
E lembrei-me ali, que a memória tem destas coisas , daquela avó que, há muitos anos, me seguiu em silêncio na rua, a ver-me de mão dada com a Catarina, a trautear uma cantiga que a fazia sempre rir, porque lhe fazia lembrar a neta (é tão parecida! quer ver? e mostrou-me uma fotografia de uma pequenita que não podia ser mais diferente da minha). A neta que nunca veria crescer, que ficaria sempre pequenina…
Inquieta, identifiquei, passados todos estes anos, o que aquela avó sentiu por mim naquele dia. Ali, na mesa do café, poisado o livro, pasmei a olhar para aquela mãe com a mais verde das invejas.


Filed under: crónicas Tagged: A Brasileira, memória

O dia em que o mundo mudou

Posted: 08 Nov 2014 04:03 PM PST

WB

Sem consciência dos que tornaram possível ou viveram, o dia 9 de Novembro de 1989 ficará para sempre na memória como um dos dias mais belos na história da humanidade, pela liberdade que trouxe a milhões de pessoas um pouco por todo o mundo.

O muro da vergonha fora construído 28 anos antes, visando impedir o êxodo de cidadãos da RDA para a RFA, curiosamente poucos atravessavam em sentido inverso, bloqueando assim o contacto das massas educadas pelo partido com o crescente desenvolvimento da economia de mercado e consequente bem-estar na Europa do pós-guerra. De noite para o dia famílias ficaram separadas pela perversidade. E muitos pagaram com a vida a tentativa de fuga ao paraíso socialista…

O desgaste dos regimes começara muito antes, na Hungria em 1956 e Checoslováquia em 1968 a vontade de libertação dos povos seria brutalmente esmagada e reprimida pelo poderio militar soviético que não permitia desvios à sua cartilha. Os anos de Brejnev foram particularmente duros para quem aspirasse a mudanças na órbita do império. A eleição do cardeal Wojtyla no Vaticano em 1978, que o investiu Papa João Paulo II, produziu frutos na Polónia, seu país natal, facilitando o surgimento do primeiro sindicato livre num país comunista, o Solidariedade, liderado por Lech Walesa. Mas foi a nomeação de Mikhail Gorbachev e suas políticas de abertura (glassnost) e remodelação (perestroika), que provocaram o colapso da cortina de ferro.

9 de Novembro é acima de tudo uma data simbólica, uma imensa multidão perdeu o medo à opressão e saiu de casa disposta a lutar pela abertura do regime em busca de liberdade, mas conquistaram o inimaginável, os portões acabaram abertos por uma incrível sucessão de falhas na cadeia de comando, apenas possíveis pela agonia do governo, abalado com a contestação popular que começara em Leipzig. O povo eufórico dos dois lados em celebração, disposto a não permitir que o tempo voltasse para trás, a Hungria abriu fronteiras, o processo tornou-se irreversível, um a um os regimes totalitários caíram como castelos de areia. Indiferentes aos tratados internacionais ou pensamento dos políticos dos dois lados ideológicos em confronto os alemães começaram a falar em reunificação. A ideia levantou reticências em Moscovo, Paris  ou mesmo Washington, em Londres Margaret Thatcher nem queria ouvir falar no assunto. Mas era impossível à época impedir os alemães de decidirem o seu destino, as potências vencedoras da WWII acabaram cedendo em negociações diplomáticas.

Não terá sido o fim da História como se chegou a falar, mas produziu alterações significativas a nível global. A guerra fria levou a que ambos os blocos procurassem uma hegemonia global, apoiando sem grande critério uma série de regimes pouco recomendáveis. Sabiam que o ditador era criminoso, mas imperava a lógica "o tipo é um filho da puta, mas é o nosso filho da puta…" Acima de tudo importava que o inimigo não conquistasse terreno. Após a queda dos regimes comunistas o mundo passou a ter menos tolerância com facínoras, o fenómeno ainda existe, mas não tem comparação possível. Basta olhar para os mapas de África, Ásia ou América Latina, contabilizar quantas democracias existiam na época e comparar com a realidade actual. Apesar do muito que ainda falta…


Filed under: política internacional, sociedade Tagged: liberdade

Sem comentários:

Enviar um comentário