terça-feira, 4 de novembro de 2014

Aventar

Aventar


Danças no salão da existência

Posted: 04 Nov 2014 11:37 AM PST

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«Ninguém sabe dizer o que é a alma», e nem sequer «a sua versão científica, a mente», começa por escrever José Luís Pio Abreu, no prólogo do seu último livro O bailado da alma. Ninguém sabe dizer, mas há quem não se importe de tentar, correndo riscos, como ele, afirmando por exemplo que «o mimetismo humano (a tendência para dançar a dança dos outros) é tão grande que se acumulam evidências de que os próprios órgãos e hormonas humanos podem dançar com os de outra pessoa», e que «de uma mente fazem também parte as mentes de outras pessoas», o que torna em certa medida indefiníveis «os limites de uma alma ou, se quisermos, do espírito.» Seríamos, assim, e num certo sentido, um só, como creio que somos, na continuidade dessa germinação primordial propiciada pela água.

Mas Pio Abreu afirma mais (mediante os processos próprios à observação científica, racionais e verificáveis, note-se): que quando um corpo e os seus impulsos nervosos morrem, o baile continua, no seu constante movimento inscrito no tempo, que é onde existe a alma (ou a mente), que não carece de espaço, como o cérebro, e que «não procede apenas pelo raciocínio, mas, sobretudo, pela intuição.» Eis um livro que, sem misticismos nem poesia (embora eu pessoalmente encontre grande poesia em tudo o que Pio Abreu tem escrito), passeia pelas Neurociências e pela Filosofia, pela Física e pela Termodinâmica, pela Biologia e pela Matemática, pela Psicopatologia (o território em que Pio Abreu se tem especialmente confrontado com a ideia de alma) e pelas Ciências da Informação.

Um passeio discursivo arriscado, dirigido ao homem comum, e que compõe uma narrativa intelectualmente estimulante para todos os que procurem fugir da camisa de forças do pensamento positivista ainda dominante, com grande dano para o desenvolvimento da medicina, por exemplo, apesar de todos os progressos científicos – grandemente promovidos por um processo evolutivo tecnológico ao qual falta pensamento sistematizado sobre a acção da consciência sobre a matéria. Uma dança ainda por ser dançada, no fundo, que faz deste O bailado da alma um contributo de valor inestimável para os espíritos mais inquietos (curiosos, insatisfeitos, e sempre prontos para um pézinho de dança com as ideias).

O bailado da alma – O que é a mente, para além do corpo?
José Luís Pio Abreu
Publicações Dom Quixote, 2014


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Continua chamando-me assim cherne

Posted: 04 Nov 2014 08:46 AM PST

chernia-01Durão Barroso foi, como se sabe, um dos primeiros atletas a trocar um dos três grandes cargos portugueses por um dos maiores clubes mundiais. Pouco antes disso, a sua mulher, recorrendo à obra de Alexandre O'Neill, tinha ajudado o país a arranjar uma alcunha para o próprio marido e Durão passou a ser conhecido por cherne.

Graças às suas qualidades de velocista, Barroso detém o recorde do percurso mais rápido entre Lisboa e Bruxelas. Não fosse já ter sido alcunhado e poderia ter ficado conhecido como "carapau de corrida", mantendo a referência piscícola e relevando a virtude atlética.

Ora, o cherne foi, esta semana, condecorado por um cavaco, que é, como se sabe, um marisco, facto que ajudou a manter um ambiente de fábula marítima. Marítima, pelos espécimes em causa; fábula, porque só no mundo da fantasia é que é possível acreditar no palavreado absurdo de cada uma das personagens.

Entretanto, uma rápida investigação permitiu-me verificar que as alcunhas não surgem por acaso e são, tantas vezes, premonitórias.

De acordo com o site do Oceanário, este peixe, quando jovem, vive "debaixoBush_with_Barroso de objectos flutuantes", o que não é mais do que uma referência indirecta ao MRPP. Para além disso, ficamos a saber que o seu nome científico é Polyprion americanus, o que explica a subserviência de Barroso a George Bush.

Outro dado curioso e igualmente premonitório reside no facto de que o cherne é visto, com frequência, junto de destroços. Em inglês, é, aliás, designado por wreckfish (wreck significa 'destroço'). Margarida Sousa Uva, invocando, mediunicamente, Alexandre O'Neill, já adivinhava o estado em que o marido iria deixar a Europa. A propósito, alguns comentadores mais  maldosos chegaram a propor que a alcunha de Durão passasse a ser Chernobil.

Recentemente, ter-lhe-ão perguntado se se sentia incomodado com a alcunha, ao que Durão, com o sentido de humor que se lhe reconhece, terá afirmado, enquanto enlaçava a mulher:

- Nada, até já disse aqui à minha garoupa (risos) para fazer como na canção: continua chamando-me assim cherne!


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E se eu dissesse que a Alemanha tem demasiados alemães?

Posted: 04 Nov 2014 05:51 AM PST

O FCPorto chegou ao país do camarada

Posted: 04 Nov 2014 04:52 AM PST

O país Vasco. Força força camarada Record!


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«Se a Europa deu consigo a criar uma moeda sem Estado em 1992

Posted: 04 Nov 2014 04:37 AM PST

(…) foi porque esta resolução internacional foi concebida (…) no momento em que se pensava qe os bancos centrais tinham por única função a de ver passar os comboios (…). Foi assim que criámos uma moeda sem Estado e um banco central sem Governo. (…)» Thomas Piketty, O capital no século XXI


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Catálogos IKEA

Posted: 04 Nov 2014 02:00 AM PST

ikea
Quando uma capa de edredão custa 47 euros em Portugal e muito menos em todos os outros países do Euro…


Filed under: economia Tagged: catálogos, custo de vida, IKEA, Zona Euro

Ministério da Educação explora desempregados e negligencia escolas

Posted: 04 Nov 2014 12:00 AM PST

gaibéusVale a pena ler, com muita atenção, o texto da Graça Barbosa Ribeiro sobre desempregados que trabalham transitoriamente nas escolas como auxiliares educativos (ou, como se dizia antigamente, contínuos). Graças a três vozes, é possível confirmar que o governo se limita a ignorar as necessidades das escolas, ao mesmo tempo que explora as necessidades dos desempregados.

As escolas, de uma maneira geral, não têm pessoal em número suficiente, o que vai arrastando os recursos humanos existentes para a exaustão e para o desânimo. Para além disso, estamos a falar do desempenho de tarefas extremamente exigentes. Alguns destes auxiliares de circunstância nunca chegam a adaptar-se; outros, depois de se adaptarem ou de mostrarem competência e dedicação, não podem permanecer em funções, o que contrasta com o discurso politicóide que defende que o mérito deve ser premiado e outros rebeubéus igualmente vazios.

Num país civilizado, governado por gente civilizada, as necessidades de recursos humanos nas escolas deveriam ser efectivamente supridas, contratando-se os trabalhadores necessários e pagando-lhes em conformidade. Em vez disso, o Estado aproveita o facto de ser legislador para poder ser um patrão explorador, alegando um doce "fazer mais com menos".

Ressalvando as devidas diferenças, que se vão esbatendo, cheira a gaibéus que tresanda. Cúmplices somos todos, com destaque para professores, sindicatos e directores de escolas.


Filed under: educação Tagged: alves redol, assistentes opera, auxiliares de acção educativa, contínuos, desemprego, escolas, exploração, funcionários não docentes, Gaibéus, nuno crato

O Cherne, como o baptizou a respectiva esposa, confunde País com Cavaco Silva

Posted: 03 Nov 2014 05:44 PM PST

cherne_durao[2]

O ex-presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso afirmou hoje que “o reconhecimento” de Portugal, através da condecoração entregue pelo Presidente da República, significa que “foi correcta a decisão” que tomou de deixar o Governo em 2004. [ionline]

Passados dez anos, Barroso achou que precisava de se justificar. Bastou-lhe um ténue sinal positivo, o de uma única pessoa, para se auto-elogiar, já que Cavaco Silva não perguntou aos portugueses se estes o queriam condecorar.


Filed under: política nacional Tagged: cavaco, durão barroso

Correcta

Posted: 03 Nov 2014 03:00 PM PST

dbcs

Cerimónia de condecoração do Dr. José Manuel Durão Barroso © 2006-2014 Presidência da República Portuguesa (http://bit.ly/DBCSAO90)

Efectivamente, foi correcta. Não, não foi *correta. Foi correcta. Com cê. Exactamente: correcta. Contudo, conhecendo os hábitos da casa, daqui a alguns meses, a citação sairá deturpada, ou seja, sairá *correta. Sim, claro, no Expresso

correctaActualização (4/11/2014): Entretanto, alguém decidiu aplicar o Acordo Ortográfico de 1990 ao excelente ‘correcta’. No título, claro. No texto, felizmente, o ‘correcta’ mantém-se. Os meus agradecimentos a Paula Blank, pela indicação deste habitual exercício de cosmética.  

correta


Filed under: acordo ortográfico, política nacional Tagged: cavaco silva, durão barroso, Expresso

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