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- Liberdade, capitalismo…
- Fotógrafos de renome explicam o que é de facto a fotografia moderna
- Felizes para sempre
- Quando eu morrer
| Posted: 02 Nov 2014 06:00 AM PST Dificilmente uma empresa estatal é inovadora. A busca de novas soluções, ganhos de eficiência e produtividade tendem a ser frequentes numa empresa privada. Porquê? Porque o seu principal objectivo é lucro. Novas soluções significam na maior parte das vezes novos produtos ou serviços, que levam à conquista de mercado, aumento de vendas, que se traduz no crescimento da empresa e retorno do investimento para o accionista. Não é linear que o número de empregos seja proporcional ao aumento de valor, mas a qualidade e remuneração do trabalho costuma andar de mãos dadas com estes princípios. Também não é por acaso que nos rankings anuais das melhores empresas para trabalhar surjam nos lugares cimeiros empresas que se enquadram no perfil que acima descrevi, detentoras de marcas que praticamente todos conhecemos e consumimos diariamente, muitas vezes sem sequer nos apercebermos. Também não costumamos ver estas empresas nos noticiários, excepto talvez nas páginas económicas quando realizam alguma operação em Bolsa ou anunciam lucros. São empresas que não costumam empregar políticos ou mendigar favores. E não passa pela cabeça de quem quer que seja defender a nacionalização de qualquer destas empresas, pois tal significaria o colapso imediato, com prejuízo para os Estados em matéria de impostos e aumento brutal do desemprego. Mas ser privada por si só não garante sucesso. Se por um lado acredito no livre mercado com o capitalismo enquanto instrumento, na demanda legítima de qualquer empresa pelo lucro, a questão é simples, uma empresa satisfaz consumidores e atinge objectivos ou encerra, já as empresas que operam em monopólio ou oligopólio também se servem do capitalismo, procurando a mesma eficiência que as empresas que operam em mercados concorrenciais alcançam, buscando o lucro, mas sem concorrentes a inovação é menos necessária e pior, afixam os preços de acordo com os seus custos, indiferentes à realidade económica dos seus consumidores, pois estes sem alternativa terão que continuar clientes. É aqui que poderemos enquadrar algumas privatizações em Portugal das quais muito desconfio. E sem concorrentes é possível aumentar custos, oferendo emprego a políticos e amigos, como pagamento pelos serviços prestados pelo Estado. Porque vão ter sempre quem suporte os custos. Pagam os contribuintes e pagam os clientes, normalmente são os mesmos e pagam 2 vezes por um mau serviço. Filed under: economia Tagged: capitalismo, liberdade |
| Fotógrafos de renome explicam o que é de facto a fotografia moderna Posted: 02 Nov 2014 04:45 AM PST
O premiado cineasta e fotógrafo Tyrone Lebon criou este interessante documentário, mostrando o estado da arte da fotografia moderna. O filme apresenta alguns dos melhores fotógrafos contemporâneos do mundo falando sobre seu processo criativo, inspiração e, finalmente, o que é sobre fotografia moderna. [daqui] Filed under: Hoje dá na net Tagged: fotografia moderna, Tyrone Lebon |
| Posted: 02 Nov 2014 04:00 AM PST
Claro que quando as personagens são plebeus arriscam-se a ser, como aconteceu com a Capuchinho Vermelho e a Avó, comidas por um lobo ou outro predador adequado o que, no caso, tem sentido moral, já que a fedelha era desobediente e atiradiça e a avó manifestava uma lamentável negligência com a qualidade da fechadura da porta. Porém, quando se trata de ser ou ascender ao estatuto de príncipe, a coisa fia mais fino. Claro que, como bem sabeis, há de tudo no início destas histórias e nem sempre a condição aristocrática é inata. Por vezes é adquirida e nem sempre com expedientes muito curiais. Desde as e os trepadores sociais – que podem ser de origens humildes mas, no caso delas, são sempre lindas, trabalhadeiras e muuuuuito boazinhas -, como a humilde filha do lenhador, de seu nome Rapunzel, até ao sortudo dono do Gato de Botas, promovido, sem mérito que se visse, a Marquês de Carabás pelo espertalhão do bichano, única e humilde herança que seu pai lhe deixara. Há ainda as deserdadas da sorte que, de origens aristocráticas – como a Branca de Neve, a Cinderela, a Guardadora de Patos – se encontram reduzidas à pobreza, mas não conformadas. Finalmente, temos a considerar as que em tudo – condição real e fortuna – se equiparam ao seu príncipe encantado – e encantador, como é de mister – como a Bela Adormecida, cujos méritos não são bem conhecidos posto que passa a maior parte da história a dormir. Mas era bela, sem dúvida, ou o príncipe jamais venceria a repugnância de beijar uma criatura adormecida durante anos e cujo estado de higiene, passado todo esse tempo, deveria ser lastimável. Mas no fim, por muitos e desvairados caminhos, todos ascendem, recuperam ou mantêm a desejada condição de príncipe ou princesa. E casam. E como casam! Geralmente com grandes festejos e alegria popular. E, garantem-nos as histórias, todos serão felizes para sempre. E é neste ínterim que se me levanta a dúvida nunca desfeita: será que os povos que tais príncipes irão governar partilham e beneficiam dessa felicidade? Filed under: crónicas Tagged: contos de fadas |
| Posted: 02 Nov 2014 01:00 AM PST Hoje, já dia 2 de Novembro, mas ainda dia 1, celebrou-se mais um Dia de Todos os Santos. Dia de ida ao cemitério. Dia que se justificava ser feriado, já que as famílias aproveitam para se encontrar. Velar os mortos é apenas um pretexto e em muitos casos reúnem-se dezenas de pessoas em torno de um jazigo. É uma forma de recordar quem partiu e de estar com quem ainda por cá anda. Morte e vida são celebradas de mãos dadas. Mas claro que a nossa Igreja, ao ser confrontada com a necessidade de reduzir feriados religiosos, escolheu eliminar este. Um dos poucos feriados que realmente juntavam as famílias. Tem muito de pagão, é verdade, mas foi a própria ICAR que tentou abafar uma celebração bem mais ancestral… Hoje celebra-se a vida através da recordação dos mortos e dos seus feitos. A mim continua-me a fazer espécie aproximar-me de um buraco no chão coberto por lápides de mármore, sabendo que o corpo inerte do meu pai está algures ali por baixo desfazendo-se lentamente. Raramente visito o cemitério. Não suporto a ideia de o saber ali. Detesto ver a fotografia dele numa placa de mármore. Abomino sabê-lo ali. Sempre acreditei e defendi que a melhor homenagem que podemos fazer aos nossos mortos é tê-los tratado bem em vida. Que adianta ir regularmente ao cemitério, limpar campas, comprar flores, acender círios, se não os tivermos tratado bem em vida? Não foi exactamente o meu caso. Sempre «choquei» com o meu pai. Feitios demasiado semelhantes. Demasiadas diferenças de opinião. No entanto, já doente, visitei-o sempre que podia. Por vezes sabia que iria ser mal recebida, que iria ser maltratada, mas aparecia. O fim de vida dele não foi digno. Um homem enérgico preso a uma cama, a usar fraldas, dependente de terceiros para a higiene e alimentação, frequentemente com alucinações… Não foi bonito. Sei que não estive presente tanto quanto devia. Sei que não dou o apoio que devia à minha mãe. Sei que não a vejo tanto como gostaria e isso vai radicalmente contra a minha teoria de tratar bem em vida porque o que importa e o que conta é a sua presença vivos. É isso que nos permitirá recordá-los depois de os perdermos. Não quero, NÃO QUERO, que um dia as minhas filhas passem pelo mesmo que eu passo. Não quero que elas pensem na mãe como um corpo sem vida e em decomposição. Quero que elas se lembrem de mim viva. Quando eu morrer, não quero ser um corpo inerte dentro de um caixão num buraco debaixo da terra com uma placa de mármore por cima. Quando eu morrer, quero que me mandem cremar. Se possível, evitem-me o velório. Não quero estar ali exposta, um invólucro vazio de vida, um ser impotente. Quero que me recordem com vida, sempre a resmungar, a andar de um lado para o outro. Mandem-me cremar e espalhem as minhas cinzas por aí. Não me guardem num frasquinho. Não me prendam, por favor. Deixem-me voar nas asas do vento. Deixem-me subir ao topo das árvores. Deixem-me navegar nas ondas brutas do mar. Deixem-me deslizar no rio. Não espalhem as minhas cinzas num lugar emblemático. Isso não! Um lugar emblemático ou especial obriga-vos a voltar lá e só lá conseguirão recordar com mais intensidade a vossa mãe. Não, espalhem-me por aí, nos montes e vales, nos rios e mares, ao vento e à chuva. Espalhem-me numa noite de tempestade, com trovoadas fortes e ribombantes, com relâmpagos brilhantes e assustadores. Isso sim, isso será a verdadeira celebração da minha vida. Eu, em harmonia com os elementos. Eu, nos braços do que de mais possante existe neste planeta. Ah, fantástico! Desta forma, estarei sempre convosco. Uma brisa trar-vos-à a minha voz, que vos sussurrará aos ouvidos as palavras de amor que vos sussurro depois de adormecerdes. O cheiro de flores no ar recordar-vos-à do meu perfume, do meu cheiro característico, do odor dos meus cremes que vós gostais tanto de usar. O chilrear de um pássaro trará à vossa memória as canções que vos cantei. O travar brusco de um carro vai fazer-vos pensar num determinado episódio da minha vida. O som do mar será para vós mais meigo e apaziguador. A calma do rio certamente vos fará lembrar da energia que a vossa mãe tinha. O crescimento de uma flor ou árvore far-vos-à reviver momentos da vossa infância passados com todo o nosso amor. Por tudo isto, minhas filhas, se me quereis viva em vós, em tudo o que vos rodeia, se quereis sentir a minha presença e o meu amor nos momentos da vossa vida, por favor quando eu morrer não deixeis que me enterrem. Mandai-me cremar e espalhai-me por aí. Deixai-me voar e ser, finalmente, livre. Tudo isto, sabendo que aquele laço invisível de amor que nos une nunca se quebrará, mesmo quando eu morrer.
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