Aventar |
- As baixas estão de baixa
- Depois do sucesso em Angola
- “Não usar pisca quando se muda de *direção”
- Orçamento de Estado para 2015: Crato glosa Bocage
- Uma recessão calorosa?
| Posted: 23 Oct 2014 01:58 PM PDT O humorista João Miguel Tavares dedicou hoje a sua crónica no Público ao ensino, ou melhor, aos professores. Uma parte já a explicou o Paulo Guinote, a outra ofereço-lha eu. Queixa-se, e com toda a razão, porque a sua filha não tem aulas de História há seis semanas, por via de o respectivo professor estar de baixa. Não é muito conhecida, mas é uma situação recorrente. Num caso de doença prolongada qualquer trabalhador tem de ser avaliado por uma junta médica, sempre foi assim e parece-me sensato que continue a ser. Como as pessoas em baixa prolongada custam dinheiro, e esquecendo que para isso descontaram, uma ex-ministra achou por bem dar ordens para avaliações, por assim dizer rigorosas. Por conta disso três professores morreram praticamente na escola, que isso de ter um cancro em fase terminal não é nada, assunto que deve pesar tanto na consciência de Maria de Lurdes Rodrigues como o ar que sobre ela paira. Este governo decidiu ir mais longe: ouviu o João Miguel Tavares a gritar que era preciso cortar nas despesas do estado, não há dinheiro para juntas médicas, portanto vão sendo adiadas. Como vão sendo adiadas, as escolas não podem pedir um professor para substituir o que está doente, que por sua vez estando doente apresentou um atestado e aguarda. Na presente conjuntura de lançar o caos nas colocações de professores contratados (que deveriam aliás servir apenas para isto mesmo, situações excepcionais, o normal deveria ser leccionado por quem está no quadro) é natural que mesmo depois da tal junta, que tem uma enorme lista de espera porque não querem pagar a mais médicos, se realizar, ainda demore um bocadinho, coisa pouca, entre umas semanas e uns meses. Sempre é mais humano que as juntas médicas da anterior ministra, mas os alunos ficam sem aulas. E agora quer que a direcção de uma escola se arrisque a explicar isto a um pai, o que acarreta sempre um juízo de valor sobre a hierarquia, emitido no horário de trabalho? somos professores, não somos parvos. Filed under: educação Tagged: juntas médicas |
| Posted: 23 Oct 2014 08:17 AM PDT Rui Machete vira-se agora para o Estado Islâmico. Alguém o inscreva na próxima edição da casa dos segredos! Filed under: curtas Tagged: confidencialidade, Estado Islâmico, rui machete |
| “Não usar pisca quando se muda de *direção” Posted: 23 Oct 2014 07:14 AM PDT |
| Orçamento de Estado para 2015: Crato glosa Bocage Posted: 23 Oct 2014 01:01 AM PDT Santana Castilho *Todo o dinheiro que a austeridade da troika e deste governo retirou ao funcionamento da economia, à saúde, à educação e ao bolso dos portugueses, 28.000 milhões de euros, foi, quase na íntegra, para pagar o serviço da dívida, numa evidência gritante de que a austeridade nada resolveu do problema que queria resolver. Dados do Boletim Estatístico do Banco de Portugal mostram que, entre 2010 e 2014, a dívida conjunta, pública mais privada, cresceu 46,1 pontos percentuais por referência ao PIB, cifrando-se agora na assustadora expressão de 767.226 milhões de euros. A dependência de Portugal relativamente ao estrangeiro aumentou drasticamente pela mão da troika e de Passos, o mercador dos nossos anéis. Entre o que Portugal já vendeu ou vai vender a preços de saldo, recordo: Espírito Santo Saúde, HPP Saúde da CGD, Tranquilidade, Fidelidade, BPN, Banco Espírito Santo, agora Novo Banco, Cimpor, EDP, REN, ANA, CTT, TAP e PT. Mas há lata maior. A "esclarificação" com que Crato nos brindou sobre o orçamento de Estado para 2015 reconduziu-me ao Bocage boémio: o corte que aquela senhora deu, não foi ela, fui eu! É preciso topete para querer transformar 704,4 milhões de euros de corte orçamental na Educação (-11,3%) nos 200 milhões saídos da lógica anedótica do ministro. À brincadeira de Nuno Crato opõem-se 578 páginas de realidade: 278 de orçamento e 300 da proposta de lei que o aprova. Algumas pérolas aí escritas evidenciam a mistificação que envergonharia pessoas decentes. Mas não o Governo, muito menos Nuno Crato. Na página 172, quando explanam as políticas que o orçamento serve, os mistificadores voltam com a lengalenga de ser "a melhoria dos índices de qualificação da população factor determinante para o progresso, desenvolvimento e crescimento económico do país". Eles, que reduziram os complementos educativos no ensino não superior em 47,6 %. Eles, que cortaram 68,8% aos serviços de apoio ao ensino superior. Na mesma página, escrevem estar firmemente empenhados "em melhorar os níveis de educação e formação de adultos". Eles, que cortaram 38,6% do financiamento ao sector. Na página seguinte apontam como objectivo estratégico "garantir o acesso à educação especial, adequando a intervenção educativa e a resposta terapêutica às necessidades dos alunos e das suas famílias". Eles, que cortaram o financiamento deste sector, onde se incluem deficientes profundos, em 15,3%, removendo sistematicamente, serviço após serviço, as respostas especializadas antes existentes. Tragam estes mistificadores um só pai, uma só mãe destas crianças com necessidades educativas especiais, um só professor da área, a desmentir o que afirmo e a concordarem com o Governo. E o despudor atinge o clímax quando destacam como medidas justificativas do orçamento a "consolidação da implementação das metas curriculares", esse expoente superior do refinado "eduquês" inferior. Para o leitor menos familiarizado com o tema, adianto que, apenas no que toca ao 1º ciclo do ensino básico, e se nos ficarmos pelas duas áreas mais badaladas do currículo, Português e Matemática, estamos a falar de 177 objectivos desdobrados em 703 descritores. Qual cereja em cima da imbecilidade, deixo-vos duas dessas metas: * Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt) Filed under: educação Tagged: ministério da educação, nuno crato, professores, santana castilho |
| Posted: 22 Oct 2014 02:16 PM PDT Efectivamente, terá havido uma gralha. Filed under: acordo ortográfico, curtas, desporto Tagged: liga dos campeões, schalke 04, sporting |
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