Aventar |
| Posted: 30 Oct 2014 09:35 AM PDT Não é novidade PPC dizer uma coisa e o seu contrário. Desta vez demorou 2 horas até se desdizer. Filed under: curtas, política nacional Tagged: passos coelho |
| Posted: 30 Oct 2014 08:04 AM PDT
Já aqui contei que a minha cadela Rita adoptou um gato vadio, o Chico. Nos outros lugares, menos virtuais, onde também o contei, a reacção foi sempre de ternura embevecida. Punham-se as cabecinhas de lado quando ouviam a história, aquele sinal inegável de que os ouvintes responderiam com adjectivos como fofo, lindo, queriducho, e outros termos detestáveis. A história começou a correr e eu fiquei conhecida em certos meios como "a dona da cadela que vive com um gato". Houve até um vizinho que veio ter comigo na rua para perguntar-me se era eu que escrevia no Aventar porque tinha lido o post e reconhecido a cadela e o gato que ele via do seu quintal. A Rita e o Chico devolviam a uma pequena amostra de seres humanos a fé quase perdida na possibilidade de um mundo de paz e harmonia. Embalada com o sucesso da história, não me coibi de ir partilhando detalhes mais actualizados. E aí, para meu espanto, o entusiasmo esmoreceu de forma súbita. É que a cadela começou a ensinar o gato a caçar. Ele tinha o talento inato mas faltava-lhe a aprendizagem dos procedimentos. Começaram pelas ratazanas. Ao que o Chico tinha de rapidez e agilidade, a Rita respondeu com astúcia e experiência. Percebi logo que estavam ali dois assassinos em série. Orgulhoso, o Chico foi deixando um rasto de roedores chacinados por todo o lado, a sua forma de retribuir o carinho a quem lhe dá de comer. A Rita também ficou orgulhosa dele, mas disfarçou mostrando uma entediada indiferença quando ele empurrava as ratazanas mortas para junto da cama dela, uma das mais tocantes manifestações de afecto a que se pode assistir neste mundo. Se é certo que ninguém gosta de ratazanas, também não vi grande entusiasmo quando fui descrevendo aos antigos fãs da Rita e do Chico a morte horrenda dos roedores. A grande reviravolta, porém, chegou quando a Rita e o Chico se dedicaram às pombas. Dominada a caça no terreno, acharam por bem abalançar-se ao abate de criaturas voadoras, o que exige maior perícia e rapidez, mas é também, ao que parece, mais recompensador. Apanharam uma e comeram-na. Quando a história da Rita e do Chico passou a ter restos de asas, sangue a rodos e penas esfrangalhadas, eles deixaram de ser o parzinho amoroso que eram para se transformarem em "serial-killers" abomináveis. Os antigos ouvintes enlevados respondem agora com "Arrghhh! Cala-te lá com isso! Que raio de bichos!", como se os animais só merecessem o seu aplauso quando contrariam a sua natureza. Mas a que queriam que eles se dedicassem? Ao crochet? Que passassem o dia à volta de um tabuleiro de gamão, a bebericar chá de ruibarbo? Não matam por sobrevivência, não é a fome que os move, matam porque são caçadores. Pode-se dificultar-lhes a vida pondo-lhes guizos nas coleiras mas o instinto está lá e não vai desaparecer. Dei por mim a pensar que as pessoas esperam dos bichos que contrariem a sua natureza, que se transformem em criaturas saídas de um filme do Walt Disney, que não façam chichi nos sofás, nem roam móveis, nem deixem ratazanas mortas no tapete, em síntese, que não sejam animais, antes caricaturas deles, o que não raras vezes acaba em abandonos de beira-de-estrada ou num mais asséptico canil. Tenho pena das pombas, pois tenho, já as ratazanas quero que se lixem, mas não acho estes dois nem um pedacinho menos simpáticos nem a sua convivência menos admirável, só porque são animais que se portam como tal. Vão chamar fofinhos a outros. Filed under: crónicas Tagged: animais, caçadores, cão, Gato, predadores |
| Posted: 30 Oct 2014 04:31 AM PDT
Mandaram os serviços da ministra da justiça que se soubesse que havia suspeita de sabotagem no arranque do novo CITIUS, que a PGR está a investigar e que há dois bodes expiatórios, perdão, visados no relatório sobre o caos no Instituto de Gestão Financeira e dos Equipamentos da Justiça (IGFEJ), relatório esse feito pelo próprio IGFEJ, embora não tendo vindo a público quem o assinou, nem quem investigou. Pormaiores para que se possa aferir a isenção do dedo acusador. Sem conhecer os meandros deste caso, afirmo, com grande confiança, face ao que é padrão na industria de software, que estamos perante uma encenação para salvar a cabeça da ministra e, consequentemente, lavar a cara do governo. Passo a explicar. 1. A questão informáticaO desenvolvimento de um sistema informático passa por diversas fases, desde a identificação de requisitos, onde se definem as funcionalidades do sistema, passando pelo respectivo desenho e implementação, testes de vária natureza (unitários, de integração, de sistema, de aceitação, etc.) e entrada em produção.
A ministra afirmou que “foram feitos todos os testes” e que o problema teve lugar num período de quatro dias. Tendo sido feitos “todos os testes”, terão sido feitos, em particular, os testes de aceitação, que são aqueles que o cliente executa para concluir que pode aceitar o software. O que é o que é que falhou, então?
As declarações de Rui Pereira, presidente do IGFEJ, põem a nu a evidência de que os testes que foram realizados não foram suficientes, se é que existiram. Caso contrário, estas situações ter-se-iam de imediato detectado. Quanto à migração de processos, quem tenha experiência em migração de dados sabe perfeitamente que migrar o enorme volume de processos para o novo CITUS nunca seria tarefa para se realizar nos poucos dias para isso planeados. É algo que precisaria de ser realizado na totalidade em paralelo e de forma atempada, incompatível com a pressa de fazer o novo mapa judiciário arrancar no início do ano judicial. Sendo este o último ano judicial iniciado normalmente durante o mandato deste governo, a reforma do mapa judiciário ou entrava agora ou ficava na gaveta. Pelo que se foi sabendo na comunicação social, torna-se claro que a migração informática não foi correctamente planeada e que a pressão para que o novo mapa judiciário entrasse em vigor foi mais forte do que a prudência de fazer bem. Um processo executado normalmente, sem pressas, teria detectado todos estes problemas, evitando a paralisação dos tribunais durante mais de um mês. 2. A deslocação física dos processosMover os processos para os tribunais onde eles iriam passar a estar foi mais um aspecto sem planeamento adequado.
No Prós & Contras sobre a justiça também foram apresentadas fotos de garagens sem guarda a servirem de armazém a processos. 3. As obras
Então a “maior reforma dos últimos 200 anos“, palavras da ministra, não contemplou o atempado planeamento das obras necessárias ao novo mapa judiciário? Foi preciso esperar três anos de governo para que estas arrancassem em cima da entrada em vigor da reforma? Novamente, a ausência de planeamento é patente neste processo.
35 milhões em ajustos directos. Aqui está mais um número para o primeiro-ministro que afirma que "temos um nível de transparência como nunca existiu em 40 anos". 4. Os tribunais especializados
Paula Teixeira da Cruz é uma ministra que não percebe as reformas que ela mesmo impôs. Mas veja-se o que já diziam os profissionais da justiça, em Abril deste ano, antes, portanto, do actual caos. A Gazeta das Caldas enviou um inquérito a 49 advogados da ainda comarca das Caldas da Rainha, tendo recebido oito respostas, que reproduzem. A condenação da reforma da Justiça não é unânime, mas a maioria está contra e não tem dúvidas de que os custos vão ser maiores para quem a partir de agora recorrer aos tribunais. Referem também a absoluta necessidade da ferramenta informática para assegurar o acesso aos processos. ConclusãoA implementação do novo mapa judiciário foi toscamente planeada em todos os aspectos. Desde cedo que o governo se tem esforçado por apresentar os problemas de que esta padece como resultado de problemas informáticos. Mas vimos que esses são apenas uma das coisas que correram mal. O problema foi a ausência de planeamento no global da reforma, planeamento este que é da responsabilidade política da ministra. Todo este processo que se está a construir à volta de uma suposta sabotagem, com fugas de informação cirúrgicas, procura criar a ideia de que houve um problema localizado, contrariamente ao que as evidências demonstram. É uma estratégia para conduzir a que rolem cabeças, mas salvando a da ministra. Aos problemas causados por esta reforma sem planeamento, soma-se agora esta fuga de informação, meticulosamente plantada na comunicação social, agravando em causa própria o que já era um problema na justiça – as fugas de informação dos processos. É caso para se perguntar quanto vale a cabeça de Paula Teixeira da Cruz, para que continue à frente do ministério depois de o colocar em pantanas. Filed under: política nacional Tagged: Citius, justiça, Mapa Judiciário, paula teixeira da cruz |
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Foto Pedro Catarino
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