Aventar |
- Zeinal Bava e o Lince
- Olha o fado
- Pontaria
- A vida das pessoas continua a não estar melhor
- Nobel da Literatura 2014
- Concurso de professores: ai que horror, o centralismo!
- Boa vai ela!
- Manuel Pinto Coelho, um perigo para a saúde pública
- Choveu em Braga
- Porto!
| Posted: 09 Oct 2014 12:00 PM PDT ![]() © Nuno Botelho (http://bit.ly/1t4CXFC) “Quem tramou Zeinal Bava?”, pergunta-nos o Público. Não faço a mínima ideia. No entanto, à primeira vista, diria que este desfecho apenas vem confirmar a tese da irrelevância. Ao ler
e
num jornal com recaídas de excelência ortográfica, lembrei-me de uma citação de Ivo Castro que divulguei em 2009 (p. 94)
Como é sabido, nada disto impediu que fossem dados todos os passos necessários em direcção ao abismo ortográfico. Ao folhear o diploma mencionado no ‘fato relevante’, isto é, a Lei nº 6.404/76, decidi alimentar o Lince (sim, o Lince) com o articulado e obtive os seguintes comentários:
Resumindo: apesar de em português europeu se escrever respectiva, respectivas, respectivo, respectivamente, prospecto, perspectiva e aspectos, o conversor Lince (adoptado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011) não admite estas grafias. No entanto, em português do Brasil, tais grafias são perfeitamente legítimas — aliás, “em atendimento” a um parágrafo de um artigo de uma Lei com respectiva, respectivas, respectivo, respectivamente, prospecto, perspectiva e aspectos, ficámos a saber que “o Sr. Zeinal Abedin Mahomed Bava renunciou nesta data ao cargo de Diretor [sic] Presidente da Companhia”. Sem sombra de dúvida, mais uma vez, eis-nos perante um "passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional". Filed under: acordo ortográfico, economia Tagged: Expresso, jornal Público, Lince, OI, zeinal bava |
| Posted: 09 Oct 2014 09:21 AM PDT
Quem chega cedo à taberna (ó bela palavra que agora só me apareces com o penduricalho "gourmet") ainda apanha os fadistas na esplanada, mesmo em frente ao rio. E é fácil reconhecer a mesa da fadistagem. Há os bazofeiros, que peroram sobre o fado, porque eles sabem o que é o fado, e como é que se canta o fado, e onde é que se aprende a cantar o fado, e já precisam dos dedos das duas mãos para contar as cenas de pancadaria que viveram por causa de um fado menor. Há os melancólicos, que não dizem nada e bordam com o dedo no tampo da mesa as palavras que mais os ferem. Há as jovens promessas, que ouvem em silêncio os mais antigos, umas deslumbradas, outras reticentes, e percebe-se logo, só pelo jeito, qual das novas estrelas do fado têm por modelo. E há os que já não cantam, ficou-lhes um fio de voz, mas acompanham com o corpo, com um jeito de ombros, um suspiro. Foge-lhes o fado do corpo, e é como se lhes fosse o sopro da vida, uma coisa triste de ver, e por isso os cuidam tanto os actuais fadistas, achegam logo uma cadeira para eles, e procuram não deixar que a velhice os roube demasiado depressa. - Ó Costa, iogurte?! Vais lanchar um iogurte?! Tu assim estragas-te, pá. Come uma isquinha, bebe um copo. Que é como quem diz, não te entregues já. Vêm às terças à tarde, aos sábados à noite, aos domingos, seja quando for que os convoquem, aproveitam todas as oportunidades. Cantam com o sol a bater ainda no varandim sobre o rio, não precisam que a noite caia, não fazem exigências. Vêm para cantar o fado e é como se com isso juntassem dois ou três dias de vida ao rol daqueles que lhes tocaram viver. Nunca agradeceremos o suficiente a esses fadistas amadores que apanham o autocarro em Fânzeres, Valongo, Perosinho, subúrbios sem tradição fadista, que são mecânicos, floristas, reformados, que poucas vezes ou nunca passaram pela Mouraria, quem sabe só aquela vez em que se detiveram especados frente à placa da Rua da Palma, e olharam a rua com assombro e incredulidade, tão pouco lhes parecia para o tanto que haviam imaginado. Fado vadio, com fífias, vozes quebradas. Velhinhos que se levantam a custo e avançam com passos trémulos e se transfiguram aos primeiros acordes das guitarras, e começam a desfiar histórias antigas, solidões, amores traídos, a mãezinha que partiu, as noites negras de breu. Moços e moças bronzeados, que jamais imaginaríamos fadistas, ainda há pouco agarrados ao smartphone, e agora a cantar o "Oiça lá, ó senhor vinho", todos gingões. E uma audiência respeitadora, a mesma que ainda há pouco falava alto e pedia mais um prato de papas de sarrabulho, e agora mantém-se calada e melancólica até irromper num "Ah fadista!" que os salva da lagrimazita que esteve quase a cair. E hão-de despedir-se todos até à semana que vem, há sempre um fadista que tem de sair mais cedo para ir apanhar o autocarro, outro que se demora à espera que saia um pratinho de bucho com cominhos, alguém que propõe um último brinde, que para a semana sabe-se lá se ainda cá estamos, e quando a taberna fechar ninguém sairá daqui sem a alma aquecida pelo fado vadio. E agora digam lá vocês também: “Ah fadistas!” Foto: Michael SonnabendFiled under: crónicas Tagged: fadistas, fado, fado vadio, taberna |
| Posted: 09 Oct 2014 06:51 AM PDT Não sei que número calça o Marinho, mas havendo dinheiro acerta sempre no dedo grande. Filed under: curtas Tagged: Marinho Pinto |
| A vida das pessoas continua a não estar melhor Posted: 09 Oct 2014 06:29 AM PDT E porque recordar é viver e a aldrabice anda de mão dada com este governo e respectivos lacaios parlamentares, eis que chega o momento de recuperar esta frase inspiradora do maçon Montenegro, autor da célebre frase "eu sei que a vida quotidiana das pessoas não está melhor, mas não tenho dúvidas que a vida do país está muito melhor do que em 2011". Montenegro, qual virgem ofendida, insurgia-se no início de Agosto contra demagogos que acusavam o governo de ajudar banqueiros enquanto eles, os samaritanos dos tempos modernos, isentavam os contribuintes de responsabilidades.
Filed under: política nacional Tagged: bes, contribuintes, dívida, luís montenegro, resgate |
| Posted: 09 Oct 2014 04:06 AM PDT
O vencedor é o francês Patrick Modiano. Filed under: curtas Tagged: literatura, nobel, patrick modiano |
| Concurso de professores: ai que horror, o centralismo! Posted: 09 Oct 2014 04:00 AM PDT
Entretanto, há quarenta anos, Portugal ocupava o lugar na linha de partida da Educação em Democracia, com um atraso de séculos carregados de miséria, de analfabetismo e de elitismo. Nem sempre escolhendo o melhor caminho, os avanços foram gigantescos, como se tem confirmado, por exemplo, nos resultados de vários testes internacionais. Gigantescos, entenda-se, face ao ponto de partida. É claro que alguns políticos, evitando qualquer laivo de honestidade, tentaram aproveitar os resultados desses testes para se vangloriarem. José Sócrates, o verdadeiro político, nunca perdeu uma oportunidade de reclamar como obra sua aquilo que não lhe pertencia. Na realidade, a análise da evolução dos resultados educativos não pode estar limitada a uma legislatura, porque nem o ministro mais competente consegue melhorias visíveis em quatro anos. O patamar sofrível que alcançámos deve-se a inúmeros factores, variadíssimas circunstâncias e milhares de pessoas. Basta saber um bocadinho de História e outro tanto de Educação, tudo misturado com honestidade intelectual e espírito crítico. Nuno Crato conseguiu a proeza de ser ainda pior do que as duas tristes figuras que o precederam na cadeira ministerial. Partindo de uma visão catastrofista, tem contribuído para aumentar a catástrofe, mostrando uma incompetência suspeita, mesmo para quem não alinhe facilmente em teorias da conspiração. O recente desastre dos concursos de professores é demasiado grande, mesmo para alguém da craveira de Nuno Crato. Se é certo que a utilização de uma lista graduada não corresponde a um sistema absolutamente virtuoso, a verdade é que as escolas funcionavam relativamente bem, até ao dia em que os ministros começaram a inventar sistemas de colocação que vieram causar problemas que não existiam. Ora, toda esta situação fez sair da toca os patetas insurgento-blasfemo-observadores. Para os membros desta seita que trazem ao peito um medalhão com a efígie de Friedmann, há quatro dogmas: o Estado é sempre feio, os sindicatos são intrinsecamente maus, os membros de uma classe profissional são absolutamente corporativistas e obedientemente sindicalistas e o centralismo é o diabo disfarçado de Marx. Como são muito ignorantes, dá-lhes para o atrevimento das certezas absolutas e, portanto, para a invenção da pólvora. José Manuel Fernandes, ainda ontem, julgava explicar, do alto do seu púlpito, que era muito fácil resolver o problema dos concursos dos professores. Bruno Alves recuperou um escrito seu de 2009, julgando ter reunido argumentos arrasadores, num estilo muito "aos anos que já sei como isto havia de se resolver" e recorrendo ao habitual milagre da consubstanciação das escolas e das empresas, esquecendo, ao mesmo tempo, que, no mundo empresarial e financeiro, há muitas decisões centralizadas, conforme a dimensão das instituições. Segundo estes iluminados, o problema dos concursos estaria no centralismo e ficaria resolvido se cada escola tivesse autonomia suficiente para contratar directamente os professores. Vamos pelo caminho do truísmo: o centralismo é um problema quando é um problema. As escolas, entidades que incluem, por exemplo, encarregados de educação e professores, reclamam autonomia e descentralização há anos, em muitas áreas. Repita-se: recorrer a uma lista graduada, tendo como base a nota de final de curso e o tempo de serviço pode não ser o melhor sistema, mas tem sido suficiente para que, apesar de tudo, haja alguma justiça e tem contribuído para uma certa estabilidade. Como em qualquer outra situação, só vale a pena avançar para algo melhor, se se verificar que é efectivamente melhor (e vão dois truísmos!). Aconteceu exactamente o contrário. Os patetas, mesmo reconhecendo, a contragosto, a incompetência da equipa ministerial, insistem: o problema está no centralismo. Para estes cómicos, se um homem ferir outro com uma faca de cozinha, o problema estará, com certeza, na faca. Há muito a melhorar na Educação, mas, para pior, já basta assim. Quanto aos patetas, espero que nunca se calem, porque são divertidos, e que deixem de governar o país, porque não são divertidos. Se quisessem aprender, leriam o que escreveu o João Paulo. Filed under: educação Tagged: centralismo, escolas, horror, liberalismo, professores, professores contratados |
| Posted: 09 Oct 2014 02:00 AM PDT Vivo afastada da comunidade portuguesa e porque a idade me tornou preguiçosa, só de vez em quando me dou ao trabalho de mudar de transporte duas vezes para ter o prazer de passarinhar pelo Mercado da Saudade. Isto é, por motivos gastronómicos. É ali que me abasteço do que é regra báseica da cozinha portuguesa. Filed under: política nacional Tagged: cartas do canadá |
| Manuel Pinto Coelho, um perigo para a saúde pública Posted: 09 Oct 2014 12:00 AM PDT
Que um tolinho escreva isto algures, compreende-se, uma aldeia sem tolinho não é aldeia. Que quem o fez assine como médico (e doutorado em Ciências de Educação, abstenho-e de comentar) e tenha saído no Público, é outra louça. Manuel Pinto Coelho celebrizou-se no negócio do “tratamento” de toxicodependentes, sendo o campeão nacional da luta contra a despenalização de drogas e pela mistura entre leves e pesadas, como se compreende, empreendedorismo à portuguesa, em tempos bem acompanhado por uma tal de Joana Amaral Dias. A isso já estamos habituados. Quanto ao ébola, parece-me que há duas opções: ou se oferece como voluntário para ir tratar contaminados, com a despreocupação de quem o compara com o HIV, e desaparece como mártir, pode apanhar já um avião para Madrid, ou aguardemos que as entidades competentes se pronunciem sobre este texto, não deixando igualmente impune quem o publicou. É que isto anda pelas redes entre a malta que nem percebe o problema político do Ébola: trata-se de uma doença de pobres, ou já teria vacina e cura. E isso é perigoso. Filed under: sociedade |
| Posted: 08 Oct 2014 04:32 PM PDT |
| Posted: 08 Oct 2014 03:08 PM PDT
Eu não queria falar sobre o tema. Só quem nunca esteve envolvido na criação de raiz de projectos de marketing territorial se dá ao luxo de falar levianamente. É um trabalho duro, de enorme desgaste e óptimo para ser criticado pelos “bitaiteiros” do costume. A nova imagem da marca Porto/Cidade não é indiferente. E aqui está um elogio aos seus criadores. Mesmo torcendo o nariz ao ponto final. Luís Paixão Martins, cujos seus sentimentos pela sua Lisboa se equiparam aos nossos sentimentos pelo nosso Porto, aproveitou para escrever sobre o tema puxando a brasa à sua sardinha. Porque os gostos se discutem, aqui fica o meu: para mim, o Porto é ponto de exclamação e não ponto final. A exclamação das vendedoras do bolhão, dos frequentadores da baixa transformada em “movida Almodóvar”, do cimbalino pedido ao balcão, do Velasquez em dia de bola no Dragão, etc, etc, etc. O ponto de exclamação de sentimentos fortes. De entusiasmo. De arrebatamento. De cólera. Do antes quebrar que torcer. Porto!
(imagem gentilmente palmada ao blog Bibó Porto Carago! Filed under: cultura, sociedade Tagged: cidades, comunicação, imagem, marketing, porto, territórios |
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