quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Aventar

Aventar


Zeinal Bava e o Lince

Posted: 09 Oct 2014 12:00 PM PDT

bava

© Nuno Botelho (http://bit.ly/1t4CXFC)

“Quem tramou Zeinal Bava?”, pergunta-nos Público. Não faço a mínima ideia. No entanto, à primeira vista, diria que este desfecho apenas vem confirmar a tese da irrelevância.

Ao ler

Facto relevante: o comunicado da Oi que anuncia a saída de Zeinal

e

FATO RELEVANTE,

 

num jornal com recaídas de excelência ortográfica, lembrei-me de uma citação de Ivo Castro que divulguei em 2009 (p. 94)

Nós dizemos ‘facto’, escrevemos o c. Os brasileiros dizem ‘fato’ não escrevem o c. Portanto, mantêm-se as grafias duplas.

Como é sabido, nada disto impediu que fossem dados todos os passos necessários em direcção ao abismo ortográfico.

Ao folhear o diploma mencionado no ‘fato relevante’, isto é, a Lei nº 6.404/76, decidi alimentar o Lince (sim, o Lince) com o articulado e obtive os seguintes comentários:

respectiva convertido para respetiva

respectivas convertido para respetivas

respectivo convertido para respetivo

respectivamente convertido para respetivamente

prospecto convertido para prospeto

perspectiva convertido para perspetiva

aspectos convertido para aspetos

Resumindo: apesar de em português europeu se escrever respectiva, respectivas, respectivo, respectivamente, prospecto, perspectiva e aspectos, o conversor Lince (adoptado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011) não admite estas grafias. No entanto, em português do Brasil, tais grafias são perfeitamente legítimas — aliás, “em atendimento” a um parágrafo de um artigo de uma Lei com respectiva, respectivas, respectivo, respectivamente, prospecto, perspectiva e aspectos, ficámos a saber que “o Sr. Zeinal Abedin Mahomed Bava renunciou nesta data ao cargo de Diretor [sic] Presidente da Companhia”.

Sem sombra de dúvida, mais uma vez, eis-nos perante um "passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional".


Filed under: acordo ortográfico, economia Tagged: Expresso, jornal Público, Lince, OI, zeinal bava

Olha o fado

Posted: 09 Oct 2014 09:21 AM PDT

Quem chega cedo à taberna (ó bela palavra que agora só me apareces com o penduricalho "gourmet") ainda apanha os fadistas na esplanada, mesmo em frente ao rio. E é fácil reconhecer a mesa da fadistagem. Há os bazofeiros, que peroram sobre o fado, porque eles sabem o que é o fado, e como é que se canta o fado, e onde é que se aprende a cantar o fado, e já precisam dos dedos das duas mãos para contar as cenas de pancadaria que viveram por causa de um fado menor. Há os melancólicos, que não dizem nada e bordam com o dedo no tampo da mesa as palavras que mais os ferem. Há as jovens promessas, que ouvem em silêncio os mais antigos, umas deslumbradas, outras reticentes, e percebe-se logo, só pelo jeito, qual das novas estrelas do fado têm por modelo.

E há os que já não cantam, ficou-lhes um fio de voz, mas acompanham com o corpo, com um jeito de ombros, um suspiro. Foge-lhes o fado do corpo, e é como se lhes fosse o sopro da vida, uma coisa triste de ver, e por isso os cuidam tanto os actuais fadistas, achegam logo uma cadeira para eles, e procuram não deixar que a velhice os roube demasiado depressa.

- Ó Costa, iogurte?! Vais lanchar um iogurte?! Tu assim estragas-te, pá. Come uma isquinha, bebe um copo.

Que é como quem diz, não te entregues já.

Vêm às terças à tarde, aos sábados à noite, aos domingos, seja quando for que os convoquem, aproveitam todas as oportunidades. Cantam com o sol a bater ainda no varandim sobre o rio, não precisam que a noite caia, não fazem exigências. Vêm para cantar o fado e é como se com isso juntassem dois ou três dias de vida ao rol daqueles que lhes tocaram viver.

Nunca agradeceremos o suficiente a esses fadistas amadores que apanham o autocarro em Fânzeres, Valongo, Perosinho, subúrbios sem tradição fadista, que são mecânicos, floristas, reformados, que poucas vezes ou nunca passaram pela Mouraria, quem sabe só aquela vez em que se detiveram especados frente à placa da Rua da Palma, e olharam a rua com assombro e incredulidade, tão pouco lhes parecia para o tanto que haviam imaginado.

Fado vadio, com fífias, vozes quebradas. Velhinhos que se levantam a custo e avançam com passos trémulos e se transfiguram aos primeiros acordes das guitarras, e começam a desfiar histórias antigas, solidões, amores traídos, a mãezinha que partiu, as noites negras de breu. Moços e moças bronzeados, que jamais imaginaríamos fadistas, ainda há pouco agarrados ao smartphone, e agora a cantar o "Oiça lá, ó senhor vinho", todos gingões.

E uma audiência respeitadora, a mesma que ainda há pouco falava alto e pedia mais um prato de papas de sarrabulho, e agora mantém-se calada e melancólica até irromper num "Ah fadista!" que os salva da lagrimazita que esteve quase a cair.

E hão-de despedir-se todos até à semana que vem, há sempre um fadista que tem de sair mais cedo para ir apanhar o autocarro, outro que se demora à espera que saia um pratinho de bucho com cominhos, alguém que propõe um último brinde, que para a semana sabe-se lá se ainda cá estamos, e quando a taberna fechar ninguém sairá daqui sem a alma aquecida pelo fado vadio.

E agora digam lá vocês também: “Ah fadistas!”

Foto: Michael Sonnabend

Filed under: crónicas Tagged: fadistas, fado, fado vadio, taberna

Pontaria

Posted: 09 Oct 2014 06:51 AM PDT

Não sei que número calça o Marinho, mas havendo dinheiro acerta sempre no dedo grande.


Filed under: curtas Tagged: Marinho Pinto

A vida das pessoas continua a não estar melhor

Posted: 09 Oct 2014 06:29 AM PDT

BES PSD

E porque recordar é viver e a aldrabice anda de mão dada com este governo e respectivos lacaios parlamentares, eis que chega o momento de recuperar esta frase inspiradora do maçon Montenegro, autor da célebre frase "eu sei que a vida quotidiana das pessoas não está melhor, mas não tenho dúvidas que a vida do país está muito melhor do que em 2011". Montenegro, qual virgem ofendida, insurgia-se no início de Agosto contra demagogos que acusavam o governo de ajudar banqueiros enquanto eles, os samaritanos dos tempos modernos, isentavam os contribuintes de responsabilidades.


Sobre a postura fraudulenta desta pandilha que já há muito sabia como isto ia acabar pouco mais haverá a acrescentar. É gente que aldraba para ganhar eleições e para se manter no poder e cada um sabe do tipo de merda porcaria que está disponível para engolir. E se já sabíamos que a palavra deste governo pouco ou nada vale, no limite 2 meses conforme nos explica a Carla Romualdo, as dúvidas que restam residem no amigo que irá comprar o banco, no valor estupidamente baixo que esse amigo irá pagar e no valor que os suspeitos do costume irão desembolsar. Se o BPN, vendido ao BIC com Mira Amaral como intermediário, custou 40 milhões aos angolanos e pelo menos 7 mil milhões aos contribuintes portugueses, antevê-se um momento histórico para boys e oligarcas da promiscuidade entre política e negócios.


Filed under: política nacional Tagged: bes, contribuintes, dívida, luís montenegro, resgate

Nobel da Literatura 2014

Posted: 09 Oct 2014 04:06 AM PDT

modiano

O vencedor é o francês Patrick Modiano.


Filed under: curtas Tagged: literatura, nobel, patrick modiano

Concurso de professores: ai que horror, o centralismo!

Posted: 09 Oct 2014 04:00 AM PDT

patetaDurante alguns anos, o Ministério da Educação prejudicou um pouco as escolas. A partir de 2005, tornou-se o principal problema. A população, pouco esclarecida e com pouca vontade de se esclarecer, tem gostado de assistir à acção dos marialvas políticos, que isto é um país em que o pequeno salazarismo é a sujidade das unhas e, por isso, há muita gente que treme de gozo quando alguém "mostra quem manda". Sendo a classe docente um dos grupos mais invejados, tem sido grande o regozijo das gentes, face aos ataques perpetrados pelos gémeos Sócrates e Coelho.

Entretanto, há quarenta anos, Portugal ocupava o lugar na linha de partida da Educação em Democracia, com um atraso de séculos carregados de miséria, de analfabetismo e de elitismo. Nem sempre escolhendo o melhor caminho, os avanços foram gigantescos, como se tem confirmado, por exemplo, nos resultados de vários testes internacionais. Gigantescos, entenda-se, face ao ponto de partida.

É claro que alguns políticos, evitando qualquer laivo de honestidade, tentaram aproveitar os resultados desses testes para se vangloriarem. José Sócrates, o verdadeiro político, nunca perdeu uma oportunidade de reclamar como obra sua aquilo que não lhe pertencia.

Na realidade, a análise da evolução dos resultados educativos não pode estar limitada a uma legislatura, porque nem o ministro mais competente consegue melhorias visíveis em quatro anos. O patamar sofrível que alcançámos deve-se a inúmeros factores, variadíssimas circunstâncias e milhares de pessoas. Basta saber um bocadinho de História e outro tanto de Educação, tudo misturado com honestidade intelectual e espírito crítico.

Nuno Crato conseguiu a proeza de ser ainda pior do que as duas tristes figuras que o precederam na cadeira ministerial. Partindo de uma visão catastrofista, tem contribuído para aumentar a catástrofe, mostrando uma incompetência suspeita, mesmo para quem não alinhe facilmente em teorias da conspiração.

O recente desastre dos concursos de professores é demasiado grande, mesmo para alguém da craveira de Nuno Crato. Se é certo que a utilização de uma lista graduada não corresponde a um sistema absolutamente virtuoso, a verdade é que as escolas funcionavam relativamente bem, até ao dia em que os ministros começaram a inventar sistemas de colocação que vieram causar problemas que não existiam.

Ora, toda esta situação fez sair da toca os patetas insurgento-blasfemo-observadores. Para os membros desta seita que trazem ao peito um medalhão com a efígie de Friedmann, há quatro dogmas: o Estado é sempre feio, os sindicatos são intrinsecamente maus, os membros de uma classe profissional são absolutamente corporativistas e obedientemente sindicalistas e o centralismo é o diabo disfarçado de Marx.

Como são muito ignorantes, dá-lhes para o atrevimento das certezas absolutas e, portanto, para a invenção da pólvora. José Manuel Fernandes, ainda ontem, julgava explicar, do alto do seu púlpito, que era muito fácil resolver o problema dos concursos dos professores. Bruno Alves recuperou um escrito seu de 2009, julgando ter reunido argumentos arrasadores, num estilo muito "aos anos que já sei como isto havia de se resolver" e recorrendo ao habitual milagre da consubstanciação das escolas e das empresas, esquecendo, ao mesmo tempo, que, no mundo empresarial e financeiro, há muitas decisões centralizadas, conforme a dimensão das instituições. Segundo estes iluminados, o problema dos concursos estaria no centralismo e ficaria resolvido se cada escola tivesse autonomia suficiente para contratar directamente os professores.

Vamos pelo caminho do truísmo: o centralismo é um problema quando é um problema. As escolas, entidades que incluem, por exemplo, encarregados de educação e professores, reclamam autonomia e descentralização há anos, em muitas áreas.

Repita-se: recorrer a uma lista graduada, tendo como base a nota de final de curso e o tempo de serviço pode não ser o melhor sistema, mas tem sido suficiente para que, apesar de tudo, haja alguma justiça e tem contribuído para uma certa estabilidade. Como em qualquer outra situação, só vale a pena avançar para algo melhor, se se verificar que é efectivamente melhor (e vão dois truísmos!). Aconteceu exactamente o contrário. Os patetas, mesmo reconhecendo, a contragosto, a incompetência da equipa ministerial, insistem: o problema está no centralismo. Para estes cómicos, se um homem ferir outro com uma faca de cozinha, o problema estará, com certeza, na faca.

Há muito a melhorar na Educação, mas, para pior, já basta assim. Quanto aos patetas, espero que nunca se calem, porque são divertidos, e que deixem de governar o país, porque não são divertidos. Se quisessem aprender, leriam o que escreveu o João Paulo.


Filed under: educação Tagged: centralismo, escolas, horror, liberalismo, professores, professores contratados

Boa vai ela!

Posted: 09 Oct 2014 02:00 AM PDT

Vivo afastada da comunidade portuguesa e porque a idade me tornou preguiçosa, só de vez em quando me dou ao trabalho de mudar de transporte duas vezes para ter o prazer de passarinhar pelo Mercado da Saudade. Isto é, por motivos gastronómicos. É ali que me abasteço do que é regra báseica da cozinha portuguesa.
Foi o caso há dias. E o acaso foi encontrar, à porta do café, um compatriota que não via há muito tempo. Homem estabelecido com negócio próspero. Mal nos cumprimntámos, logo disparou:
– Sabe que esteve aí um milhafre do governo do Passos?
– Qual deles? – quis eu saber.
– O Portas, aquele dos submarinos.
– Ah, mas esse é um milhafrão. E o que é que ele veio cá fazer?
– Veio promover o papel higiénico da Renova. E largar as postas de pescada do costume. Que aldrabão! Isto é sempre o mesmo, e nós estamos fartos de saber: quando estão falidos, vêm à emigração prometer farturas. Devem julgar que somos estúpidos.
Esse é o ponto: os governantes tendem a considerar que os portugueses, os emigrados e os residentes em território nacional, são estúpidos. Será por iSso que, com muita arrogância e nenhuma vergonha, podem ler os cartazes e ouvir os clamores de milhares de manifestantes que enchem as ruas constantemente, como quem cheio de paciência, está a avisar. Os cartazes e as vozes soltam insultos como pedras, mostram que o povo perdeu completamente o respeito pelos figurões do poder. E no entanto, esses figurões continuam a fazer o que não devem, assim levando o país para um abismo de que muito penosamente sairá.
Nenhum país normalmente governado, na Europa ou noutro continente, poderá perceber o que, em Portugal, se passa com a Justiça, a Educação, a Saúde, os cortes brutais nos salários e nas pensões de reforma, o elevado número de crianças que só têm uma refeição por dia, graças à escola, o número aterrador de desempregados e sub-empregados que os patrões exploram à tripa forra, e mais, muito mais, sem haja um presidente que meta o governa na ordem e defensa o povo destes malfeitores. Pior, nem sequer há demissões desses malfeitores, como é normal acontecer em países normalmente governados. No estrangeiro, não se riem de nós: têm pena de nós, o que é bem amargo.


Filed under: política nacional Tagged: cartas do canadá

Manuel Pinto Coelho, um perigo para a saúde pública

Posted: 09 Oct 2014 12:00 AM PDT

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É importante saber-se que o vírus Ébola não se transmite com facilidade. Para haver transmissão do vírus, tal como acontece com o vírus da SIDA – o VIH – é necessário um contacto direto com um líquido biológico do doente, como o sangue, as fezes ou o vómito.

O vírus Ébola é sobretudo perigoso quando mal acompanhado. Como os doentes infetados morrem de desidratação ou de hemorragias, então o tratamento consiste logicamente na hidratação e/ou transfusão sanguínea, e não na administração de uma qualquer vacina ou hipotético medicamento.

Que um tolinho escreva isto algures, compreende-se, uma aldeia sem tolinho não é aldeia. Que quem o fez assine como médico (e doutorado em Ciências de Educação, abstenho-e de comentar) e tenha saído no Público, é outra louça.

Manuel Pinto Coelho celebrizou-se no negócio do “tratamento” de toxicodependentes, sendo o campeão nacional da luta contra a despenalização de drogas e pela mistura entre leves e pesadas, como se compreende, empreendedorismo à portuguesa, em tempos bem acompanhado por uma tal de Joana Amaral Dias. A isso já estamos habituados.

Quanto ao ébola, parece-me que há duas opções: ou se oferece como voluntário para ir tratar contaminados, com a despreocupação de quem o compara com o HIV, e desaparece como mártir, pode apanhar já um avião para Madrid, ou aguardemos que as entidades competentes se pronunciem sobre este texto, não deixando igualmente impune quem o publicou. É que isto anda pelas redes entre a malta que nem percebe o problema político do Ébola: trata-se de uma doença de pobres, ou já teria vacina e cura. E isso é perigoso.


Filed under: sociedade

Choveu em Braga

Posted: 08 Oct 2014 04:32 PM PDT

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Dizem que sim. [imagens FB]


Filed under: sociedade Tagged: chuva em Braga, penico do céu, urbanismo

Porto!

Posted: 08 Oct 2014 03:08 PM PDT

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Eu não queria falar sobre o tema. Só quem nunca esteve envolvido na criação de raiz de projectos de marketing territorial se dá ao luxo de falar levianamente. É um trabalho duro, de enorme desgaste e óptimo para ser criticado pelos “bitaiteiros” do costume.

A nova imagem da marca Porto/Cidade não é indiferente. E aqui está um elogio aos seus criadores. Mesmo torcendo o nariz ao ponto final. Luís Paixão Martins, cujos seus sentimentos pela sua Lisboa se equiparam aos nossos sentimentos pelo nosso Porto, aproveitou para escrever sobre o tema puxando a brasa à sua sardinha.

Porque os gostos se discutem, aqui fica o meu: para mim, o Porto é ponto de exclamação e não ponto final. A exclamação das vendedoras do bolhão, dos frequentadores da baixa transformada em “movida Almodóvar”, do cimbalino pedido ao balcão, do Velasquez em dia de bola no Dragão, etc, etc, etc. O ponto de exclamação de sentimentos fortes. De entusiasmo. De arrebatamento. De cólera. Do antes quebrar que torcer.

Porto!

 

(imagem gentilmente palmada ao blog Bibó Porto Carago!


Filed under: cultura, sociedade Tagged: cidades, comunicação, imagem, marketing, porto, territórios

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