quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Aventar

Aventar


Da manteiga e da planta

Posted: 29 Oct 2014 10:51 AM PDT

Escreveu Rodrigo Viana de Freitas, “É para mim mais do que certo: quando este vento passar, será todo este talento que nos fará navegar“, na P3 do Público sobre a geração 20-30. Um texto que recomendo e com o qual concordo.

Só quem nunca trabalhou com esta geração poderá discordar. Vou mais longe, esta geração é bem capaz de ser melhor que a minha (geração 40). Enfrentou e enfrenta uma das mais graves crises económicas das últimas décadas (e mais grave se se pensar na taxa de desemprego inacreditável nos jovens). Não teve direito aos anos dourados da entrada na CEE com dinheiro a jorrar para tudo e mais alguma coisa. Eram muito pequenos quando se viveu o boom do final dos anos noventa (cujo clímax foi a Expo 98) nem sabem o que é começar a trabalhar com um salário de 80 contos (400 euros actuais) e vê-lo a subir rapidamente até aos 200 contos (1000 euros) quando licenciados e cumpridores das suas tarefas. Hoje ficam pelos 500/600 euros se licenciado, mestrado e se tiverem sorte. E dura, e dura, e dura mais que as pilhas da Duracell…

Uma parte desta geração deu o salto. A minha ficou por cá. Uma parte substancial desta geração domina o inglês. A minha nem por isso. Boa parte desta geração domina as novas tecnologias. A minha anda às apalpadelas. Somos gerações diferentes? Todas o são. Esta só teve o azar de nascer num país constantemente adiado quando a minha nasceu num país que prometia ser um “el dorado” e se transformou num pesadelo. E não sei, com toda a sinceridade, o que é pior. Porém, existe uma diferença entre elas que pode vir a ser marcante: a geração 20/30 está melhor preparada para os desafios que se avizinham.

Porquê? É dos livros: quem nunca provou manteiga sobrevive melhor a comer apenas planta. Pois é, a minha geração foi habituada a comer manteiga e agora está verdadeiramente à rasca pois detesta planta. As novas gerações culpam as anteriores. As anteriores culpam as precedentes. Só que aqui a culpa não morre solteira: nós somos todos culpados. Pelas escolhas que fizemos e fazemos (e pelas omissões).

PS 1: Este é o meu texto 1000 no Aventar. Nem de propósito. Continua a ser um prazer dividir casa com tantos e tão bons. Obrigado Aventar, obrigado aventadores e obrigado a todos os leitores e leitoras :)

PS 2: Um ano depois continuo a estar onde estava. Citando de forma adaptada o outro: a notícia da minha mudança foi manifestamente exagerada…


Filed under: vária

Censurado

Posted: 29 Oct 2014 10:41 AM PDT

nos bolsos deles
Do ensaio visual A luta voltou ao muro, de Ricardo Campos, censurado da revista Análise Social.


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O anedótico e incompetente jihadista Machete

Posted: 29 Oct 2014 07:00 AM PDT

Machete

(hum… acho que fiz merda. Again…)

É possível que não exista outra forma de abordar o complexo Rui Machete que não seja através do humor. Após mais um episódio verdadeiramente patético protagonizado pela estrela do clássico "Perdoa-nos Angola, O Ministério Público não sabe o que faz", o Inimigo Público atribuiu-lhe o título de Jihadista Honorário e rebaptizou-o de Al BPN (para quem Alá tem 70 reformas milionárias reservadas no Paraíso), um nome que lhe assenta que nem uma luva, apesar do gabinete de Passos Coelho não ter entendido que assentasse tão bem no seu CV. Detalhes.

Quem não se sentiu incomodado com as declarações de Machete foi o primeiro-aldrabão. A única coisa que ainda o parece incomodar, para além do inevitável Tribunal Constitucional, são os comentadores e jornalistas, gente "preguiçosa" e "orgulhosa" que escreve coisas “patéticas. Passos fez questão de deixar claro não ter qualquer tipo problema com as declarações de Machete, algo que se percebe se considerarmos a imensidão populacional que compõe o Estado Islâmico onde devem viver uns largos milhares de jovens portuguesas. Para além de que, caso o topo da hierarquia do EI descobrisse a intenção destas jihadistas arrependidas em desertar, iam fazer-lhes o quê? Cortar-lhes a cabeça?

Tudo isto seria muito engraçado não andassem estas bestas do califado a cortar cabeças para “dar o exemplo”. E convenhamos que não devem andar por lá assim tantas jovens mulheres portuguesas. Significa isto que este ministro lunático e servil com rabo entalado no BPN colocou, com as suas declarações idiotas, a vida de jovens portuguesas em cheque. Sim, eu sei: elas foram para o meio das bestas fundamentalistas por livre e espontânea vontade. São, também elas, umas grandes bestas e umas grandes anormais. Mas isso não justifica que as suas vidas sejam colocadas em risco porque o Ministro dos Negócios Estrangeiros é um incompetente caduco sem filtro na língua. Cada vez mais me convenço que a incompetência é factor preferencial para se pertencer a este governo. Quanto mais inútil e problemático melhor.


Filed under: política internacional, política nacional Tagged: Estado Islâmico, passos coelho, rui machete

Anticyclone

Posted: 29 Oct 2014 05:30 AM PDT

sandra_rocha_anticiclone1.jpg© Sandra Rocha

Durante cinco anos, entre 2009 e 2013, Sandra Rocha regressou à ilha Terceira, onde nasceu e viveu até aos vinte anos, para visitar e fotografar a sua família.
Anticyclone é um estudo sobre a ilha, os efeitos dos elementos e da geografia no quotidiano das pessoas que a habitam. A invisível alta pressão causada pelo Anticiclone dos Açores faz o ar circular no sentido dos ponteiros do relógio e está presente em todo o lado, nos silêncios, nos cigarros que se acendem, no vento que sacode as árvores, nas ondas do mar.

Anticyclone é lançado na 6ª feira | 31 de Outubro | 18.30 / 21.30h
STET – livros e fotografias
Rua do Norte, 14 – 1º
(junto ao Largo Camões, em Lisboa)


Filed under: cultura, destaque Tagged: Açores, fotografia, Ilha Terceira, Sandra Rocha, STET - Livros e fotografias

Vem aí a super-esquadra-mega-agrupamento-escolar

Posted: 28 Oct 2014 04:27 PM PDT

Imagem5Segundo os computadores da OCDE, Portugal ainda tem polícias e professores a mais. Nestas áreas, de acordo com o Jornal de Negócios, é necessário "um ajustamento mais substancial". Alguns, mais ingénuos, poderão pensar que "ajustamento" é um eufemismo de "despedimento", mas estão enganados: para haver eufemismo, os trabalhadores teriam de ser considerados pessoas, o que, felizmente, já não acontece.

Nuno Crato, o ministro mais rápido do Faroeste, já pensava que o único professor bom era um professor despedido. A OCDE, qual sétimo de cavalaria, faz soar o cornetim e vem em socorro dos ministros acossados no forte.

É fundamental, então, que polícias e professores se preparem para os tempos que aí vêm, porque é fácil adivinhar o futuro, tendo em conta o governo reformista que temos.

Não, não será suficiente despedir alguns professores e outros tantos polícias. O governo irá, com certeza, mais longe do que isso.

A solução estará na fusão de super-esquadras com mega-agrupamentos e as vantagens são evidentes.

Antes de mais, está para nascer uma nova profissão que poderá passar a chamar-se profelícia ou polissor. Alguns especialistas já se pronunciaram contra o primeiro termo, uma vez que se aproximará demasiado de delícia e convém evitar a lubricidade latente. De qualquer modo, a designação deste cruzamento entre professor e polícia está em consulta pública, pelo que a caixa de comentários está à vossa disposição, como serviço público que gostamos de ser.

Nesta nova profissão, o professor, para além de poder continuar a deter conhecimento, poderá passar a deter pessoas, o que tornará mais célere a resolução de problemas disciplinares na escola, permitindo, ao mesmo tempo, que os alunos não percam aulas, porque as próprias esquadras serão, também, escolas. Para além disso, os professores voltarão a ser respeitados, a partir do momento em que possam entrar armados nas aulas, havendo, ainda, a possibilidade de recorrer ao taser para controlar alunos mais indisciplinados ou faladores.

Como é evidente, o programa "Escola Segura" terminará, porque, também no policiamento das escolas, será possível fazer mais com menos, o velho sonho de Nuno Crato.

O policiamento das ruas, que passará a ser feito por polícias que também são professores, poderá transformar-se em momentos de ensino-aprendizagem, provando que os Monty Python são visionários e não meros cómicos. Assim, o polissor não só poderá deter os criminosos, como, ao mesmo tempo, irá corrigir erros de português ou imprecisões terminológicas.

Imagine-se, então, a seguinte cena. Um criminoso, atingido pelo bastão policial, poderá gritar, ao descobrir que está a sangrar:

- Oh que caraças! Olha o que me fizestes!

Será a altura ideal para que o polícia e pedagodo, depois de voltar a usar o bastão, diga:

- Não é "fizestes", menino! É "fizeste". Vamos lá para a esquadra, que amanhã, por esta hora, já vais saber o pretérito perfeito do indicativo.


Filed under: educação, sociedade Tagged: alunos, esquadras, lição de latim, mega-agrupamentos, monty python, nuno crato, policias, professores

Devia ser proibido falar assim dos políticos

Posted: 28 Oct 2014 03:46 PM PDT

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